Ganjaman declarou que ao ‘cancelar’ um indvíduo, a cultura está se ‘cancelando’ junto.
Viralizou nas redes sociais nos últimos dias a apresentação da professora, palestrante e doutorada em gênero e a cultura do breaking australiana Rachael Gunn na expressão artística durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024, com diversos internautas zombando e criticando a performance.
Devido aos comentários, o renomado produtor musical e engenheiro de som brasileiro Daniel Ganjaman decidiu comentar sobre o assunto através de seu perfil no X (antigo Twitter), sugerindo que os fãs do movimento hip-hop não a ridicularizem.
“Eu não ia falar mais sobre isso, mas tá feio ver as pessoas ridicularizando a tal representante australiana do Breaking nas Olimpíadas, principalmente quem é do Hip-Hop e entende (ou deveria entender) a importância de amplificar os fundamentos da cultura numa olimpíada”, relatou o artista.

Na sequência, Ganjaman ressaltou que enxerga com cautelosidade a participação do breaking nas Olimpíadas. “Eu mesmo tenho minhas ressalvas quanto ao Breaking como categoria olímpica, mas entendo que uma vez fazendo parte, é importante demais que isso carregue a força global de expressão, resistência e comunidade intrínseca à cultura Hip-Hop”, destacou.
“Na prática, ridicularizar a participante saiu pela culatra e ofuscou toda e qualquer possibilidade de ampliar o conhecimento das pessoas sobre o Breaking e reconectar a cultura ao estilo musical que atualmente tem como principal função atender aos interesses da indústria”, complementou o produtor.
Concluindo seu pensamento, Daniel Ganjaman pontuou o possível motivo pela integração dos costumes e membros da cultura nesses meios. “É evidente que existe um recorte identitário que alimentou essa indignação – e enfatizar o protagonismo preto é imprescindível -, mas acabamos caindo em uma armadilha típica dessa lógica algorítmica, já que ao cancelar um indivíduo, acabamos nos cancelando junto… Triste”, finalizou.
Veja abaixo:
Eu não ia falar mais sobre isso mas tá feio ver as pessoas ridicularizando a tal representante australiana do Breaking nas olimpíadas, principalmente quem é do Hip Hop e entende (ou deveria entender) a importância de amplificar os fundamentos da cultura numa olimpíada. +
— Daniel Ganjaman (@danielganjaman) August 13, 2024
Eu mesmo tenho minhas ressalvas quanto ao Breaking como categoria olímpica mas entendo que uma vez fazendo parte é importante demais que isso carregue a força global de expressão, resistência e comunidade intrínseca à cultura Hip Hop. +
— Daniel Ganjaman (@danielganjaman) August 13, 2024
Na prática, ridicularizar a participante saiu pela culatra e ofuscou toda e qualquer possibilidade de ampliar o conhecimento das pessoas sobre o Breaking e reconectar a cultura ao estilo musical que atualmente tem como principal função atender aos interesses da indústria. +
— Daniel Ganjaman (@danielganjaman) August 13, 2024
É evidente que existe um recorte identitário que alimentou essa indignação – e enfatizar o protagonismo preto é imprescindível – mas acabamos caindo em uma armadilha típica dessa lógica algorítmica, já que ao cancelar um indivíduo, acabamos nos cancelando junto. Triste.
— Daniel Ganjaman (@danielganjaman) August 13, 2024