Djonga entra na justiça contra decisão judicial que condenou frase ‘fogo nos racistas’

Djonga já havia se manifestado sobre o caso semanas atrás

O rapper Djonga acionou sua equipe de advogados para tentar recurso contra a decisão judicial que decretou a retirada de um post com a frase “Fogo nos Racistas” da conta pessoal de uma enfermeira negra no Facebook. Ela ainda foi condenada a pagar uma indenização de danos à imagem de uma loja, em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, onde sua irmã sofreu racismo.

De acordo com o site Alma Preta, Djonga acionou sua equipe de advogados, formada pelos profissionais: Ariel Chacão, Karina Galvão e Aristides Chacão. Esta ação judicial é uma tentativa de recurso junto a Elaine Gázio e Adlya Gázio Papandréa, que já vinham fazendo a defesa da profissional de saúde.

O juiz que julga o caso avaliou que o post feito pela enfermeira que descrevia como a sua irmã tinha sido humilhada, xingada e agredida fisicamente pela dona de uma loja, teria que ser excluído e ela ainda deveria pagar uma indenização por causar danos à imagem do estabelecimento.

“É como se dissesse que a imagem de uma loja, onde aconteceu um caso emblemático de racismo que causou traumas numa família inteira, é mais importante do que o sentimento e a liberdade de expressão de uma mulher negra”, pontuou a advogada Karina Galvão.

A loja alegou ter tido prejuízos em sua defesa. Foi organizado um protesto popular antirracista na frente do estabelecimento e “fogo nos racistas” foi pixada. A mesma expressão estava na imagem de um cartaz na publicação, reproduzindo um slogan da luta antirracista no Brasil e um dos versos da música “Olho de Tigre”, de Djonga.

Tudo aconteceu em setembro de 2019. Segundo a enfermeira, a irmã tinha sofrido um problema capilar e estava careca, por isso foi até a loja e comprou um adereço para a cabeça que custava R$100. No entanto, ao chegar em casa, ela notou que lhe deram um produto que custava R$70, então ela voltou na loja para fazer a troca, quando a dona da loja recusou-se.

Ela conta que a dona da loja teria dito que não era problema dela que a irmã era “negra, careca e uma cadela”. A proprietária do estabelecimento teria pego um ferro e bateu na cliente, além de fazer ofensas como “sai daqui sua cadela” na frente de funcionários e de outros clientes.

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