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Djonga fala em manifestação antirracista em BH: “Estamos com medo de viver”

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Rapper participou de manifestação que aconteceu no último Domingo.

Diversos grupos se reuniram neste domingo (7) para fazer manifestações pelo Brasil. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, foram algumas das cidades aonde reuniram o maior número de pessoas. A maioria dos manifestantes usava máscaras para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Entre eles havia rapper, membros de torcidas de futebol antifascistas e pessoas com cartazes lembrando casos de violência policial, como a morte do menino João Pedro, em São Gonçalo, o assassinato da vereadora Marielle Franco, e o caso do músico e do catador mortos pelo Exército em Realengo, na Zona Oeste do RJ.

Conhecido pelas músicas afiadas e com tons muito críticos acerca da sociedade, o rapper  Djonga, de 26 anos, participou da manifestação que aconteceu em BH, e ajudou o grupo a passar a mensagem de paz e igualdade durante o ato, que caminhou da Praça Sete até a Praça da Liberdade.

“Sou apenas mais um no meio de tanta gente que está há muito na luta contra o racismo. Isso não é de hoje, não é de agora. Não é o primeiro movimento, é apenas um dos vários que ocorrem no mundo, na nossa cidade. Estamos cada vez mais com medo de viver. Vejo essa galera toda aqui tentando combater uma política de estado que mata, um governo que já vem há muito tempo legitimando isso”, afirmou Djonga, para o jornal Estado de Minas.

Djonga foi um dos que deram força ao movimento antirracista em Belo Horizonte. Além de estar presente no ato, ele divulgou a iniciativa em suas redes sociais. Em publicação no Twitter, ele publicou um longo texto dizendo porque ele iria participar da manifestação. Citando a visão de Emicida, que o levou a refletir, Djonga disse que sempre participou dos movimentos na rua, mesmo antes de estar no rap e que mesmo sabendo que existem pessoas infiltradas visando prejudicar a boa intenção do protesto, ele acredita ser muito importante as pessoas estarem nas ruas e que só assim alguma coisa pode mudar.

“As questões nunca saem da cabeça e ninguém quer ser irresponsável, mas eu vou! Sempre fui mais fogo que gelo… e quem vai pensa duas vezes num momento como esse antes de tirar o pé pra fora de casa. Não só por você, mas pelo outro. Muito infelizmente para nós, a cada escolha uma perda e parece que todas terminam com nosso sangue.”, finalizou sua explicação.

O rapper lamenta que os negros sofram constrangimentos e violência juntamente num momento de pandemia. Ele considera que a raça se torna a mais vulnerável à infecção pelo coronavírus: “É um movimento que vem num momento como esse, triste, de pandemia. Queria estar dentro de casa ‘tranquilinho’. Mesmo durante essa pandemia, mesmo o povo preto sendo o mais vulnerável e o mais pobre, remos que passar pelo drama de se expor ao vírus saindo todos os dias para trabalhar, ainda continuam matando nossas crianças e jovens”.

Confira a visão completa de Djonga sobre a situação abaixo.