Jean-Paul Mira, o médico francês que recebeu ataques  por sugerir que o teste de tratamento com coronavírus deveria começar na África, já se desculpou.

Um dos médicos franceses que propuseram que o teste para o tratamento do coronavírus deveria começar na África porque supostamente as pessoas por lá “não se protegem” já se desculpou, depois de enfrentar sérias reações por sua sugestão insensível, racista e ignorante. Na quarta-feira, Dr. Jean-Paul Mira, chefe de terapia intensiva do Hospital Cochin em Paris, apareceu em uma entrevista no canal de televisão francês LCI, ao lado do médico Camille Locht para discutir a pandemia de coronavírus. A certa altura, Mira propôs que o teste para tratamentos da COVID-19 deveria começar na África.

“Se eu puder ser provocativo”, começou Mira, “não deveríamos fazer este estudo na África, onde não existem máscaras, tratamentos ou cuidados intensivos?”, Como fizemos em alguns estudos sobre a AIDS. Tentamos coisas com prostitutas porque elas são altamente expostas e não se protegem.” Locht, diretor de pesquisa do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica, concordou com Mira, acrescentando que eles já estavam considerando “um estudo paralelo na África.”

Ambos foram fortemente criticados pelo público por suas idéias ultrajantes, inclusive pelo ator de Star Wars, John Boyega, que twittou: “A África não é um laboratório de testes para você, seu pedaço de merda.”

Mira pediu desculpas pelo que ele disse. “Quero apresentar todas as minhas desculpas àqueles que ficaram feridos, chocados e insultados pelos comentários que expressei desajeitadamente na [TV] esta semana”, disse ele em comunicado. Atualmente, a África tem o menor número de casos confirmados de coronavírus nos seis continentes, embora tenha sido sugerido que essas estatísticas sejam apenas o resultado de um acesso insuficiente aos testes. O vírus atingiu a Europa e a América do Norte os piores.