“Por que o RAP?” eu não sei se seria a pergunta certa. eu acredito mais que o RAP me escolheu do que eu que escolhi o RAP.”

A frase de início é da rapper La Lunna em depoimento ao “Só uma pista”.

Se eu perguntar qual seu rapper preferido, dificilmente você vai dizer o nome de alguma mulher. Agora, e se eu perguntar sobre seu trapper preferido? A coisa se torna ainda pior, salvo raras exceções, porém exceções não fazem regras.

E, se a coisa já está ruim para a cena estadunidense feminina, quem dirá para a cena brasileira. E, pensando por esse lado, eu resolvi trazer para o “só uma pista” nada menos do que La Lunna.

La Lunna é uma rapper baiana que tem tudo para se tornar uma trapstar brasileira. Trazendo um conceito diferente para a cena, La Lunna tenta moldar em seus trabalhos o que o público consome e a sua ideologia. Suas letras falam de assuntos diversificados, do feminismo ao combate ao racismo, do sexo ao dinheiro e assim por diante.

A rapper de Vitória da Conquista iniciou seu amor pelo rap através de um CD do Racionais, esquecido na estante de sua casa, onde ela o admirava todos os dias mesmo sem saber o conteúdo do CD esquecido.

Me lembro que, quando eu tinha aproximadamente uns 10 anos, eu sempre via na coleção de CDs que tinha na minha casa um CD de Racionais, mas não sabia do que se tratava. Parece zuera mas eu tinha uma coisa com aquele CD mesmo sem saber o que era. Eu tirava da estante, olhava o fundo, a capa, o nome das musicas, mas nunca tirei o CD pra ouvir, nem sequer sabia que era RAP, só sabia que era um CD do meu primo… Mas eu sempre costumava ficar olhando aquele CD, parecia mesmo que era a vida querendo me dar algum sinal. Mas eu era tão inocente que só agora eu pude compreender tudo, acredito em destino, acredito na energia das coisas e acredito que tudo nessa vida tem um propósito e acontece na hora certa.” – Me contou La Lunna em um depoimento enviado.

Cês pediram agora toma eu tô tranquilona / Vocês não vão tomar conta da minha grana / Cês falam demais /  Só pode ser pra ter fama / E eu que que quero mais / De 1 bilhão na minha conta

A rapper começou a escrever em 2015, quando sua mãe se encontrava com um câncer em estado terminal e, com a necessidade de explodir, La Lunna então começou a escrever. Na mesma semana a rapper perdeu sua mãe. Porém o rap a serviu de conforto e, nesse mesmo ano La Lunna conheceu a cena feminina e a identificação foi imediata.

Em “Hora de Rush”, single lançado juntamente com projeto “Freeverse” do RND, La Lunna fala sobre problemas sociais, racismo e novamente sobre ostentação, como uma boa e velha trapper.

Tamo portando mesmo / o foda é que cês pensa que só porque somos preto não podemos ter do caro / parece ofensa, e só de ódio / vamo ficar milionário.

Após todo o trauma e tristeza eu tentei recomeçar minha nova vida. Me formei na faculdade de jornalismo, continuei escrevendo novas letras e a cada letra eu sentia que eu estava progredindo. Pensei que pudesse unir o útil ao agradável, falar da minha luta como  mulher negra nas letras, toda a minha vivência e, também, sobre o que eu quero pra mim e até hoje eu não parei. Acredito que eu não vá conseguir parar, nem quero, pois eu sinto que nasci pra fazer o que eu faço hoje que é cantar trap, essa é a minha história e ela não termina por aqui e nem por agora…” Finalizou La Lunna.
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