Atlanta, Top Boy, The Get Down e muito mais!

Que a Netflix é uma das principais plataformas e produtoras de séries e filmes do mundo todos já sabem. No entanto, um olhar mais apurado aos títulos que a empresa disponibiliza revela que o hip hop está presente em uma uma boa quantidade das produções, estas que dividem-se entre séries, documentários, reality shows e muito mais.

Um exemplo disso é o seriado Top Boy, que depois de um enorme sucesso no Reino Unido chegará à Netflix no próximo dia 27 com novos episódios e produção executiva de ninguém menos que Drake. A série, assim como muitas outras produções presentes na plataforma, é um ótimo produto cultural sobre o movimento hip hop e um prato cheio para fãs de todo o mundo.

Pensando nisso, decidimos reunir todas as séries sobre hip hop que, para sua e a nossa alegria, estão disponíveis na Netflix. Confira abaixo.

1 – Atlanta (2016 – )

Eleita por muitos como uma das principais séries de comédia do momento, Atlanta é um sucesso absoluto de público e crítica. Com um humor ácido, a série acompanha a vida de Earnest Earn, um jovem negro do sul dos Estados Unidos que decide largar tudo para agenciar a carreira de um primo que, por sua vez, deseja construir fama no hip hop.

Atlanta estreou em 2016 e desde então vem fazendo bastante barulho e sendo considerada por muitos críticos a melhor série sobre a cultura hip hop já feita. O roteiro, a produção executiva e o papel principal do seriado é do rapper Childish Gambino, que inclusive já recebeu muitos prêmios pelas diferentes funções que exerce no programa.

Em 2017, o jornal The New York Times elegeu Atlanta como uma das 10 melhores séries televisivas do ano e destacou a riqueza do roteiro como o principal elemento do programa. A fidelidade à cultura do hip hop foi citada como um triunfo possível graças à história e contribuição pessoal de Gambino, que inclusive já foi chamado pelo veículo de um dos artistas mais prolixos e geniais da geração atual.

2 – The Get Down (2016 – 2017)

Outra série que chama a atenção pela qualidade do roteiro, The Get Down é uma das muitas produções televisivas que foram felizes em retratar a cultura hip hop de forma genuína e respeitosa. A história gira em torno do surgimento das primeiras intervenções do rap na região sul do Bronx, em Nova Iorque, e se destaca por ser um drama musical de peso.

O seriado surgiu como uma grande homenagem ao movimento hip hop e fez muito barulho durante o tempo em que esteve no ar. Um exemplo disso é o fato de ser narrada por Nas, um dos principais nomes do rap mundial e quem também co-produziu todos os episódios. O elenco ainda conta com a presença de Shameik Moore, rapper que fez um certo sucesso com seu álbum de 2012, “I Am Da Beat”.

Uma produção original Netflix, The Get Down foi cancelada logo após a estreia de sua segunda temporada, contra a vontade de uma multidão de fãs por todo o mundo. A série ainda pode ser assistida na íntegra na plataforma e é recomendada a todo e qualquer admirador da cultura hip hop.

3 – Hip-Hop Evolution (2016 – )

Deixando um pouco a ficção de lado, chegou a hora de falar da que talvez seja a principal série documental sobre cultura rap. Hip Hop Evolution é um programa televisivo que estreou no ano de 2016 com a proposta de abordar aqueles que foram os primeiros anos do movimento MC, de modo a mostrar o que começou como uma intervenção marginal para em pouco tempo cair no gosto do grande público e hoje sustentar toda uma indústria.

Considerada por muitos veículos especializados um rico manual para quem busca conhecer nos mínimos detalhes o surgimento e a ascensão do hip hop, a série é cultuada em todo mundo e já chegou a receber o prêmio de Melhor Programa Artístico no Emmy Internacional de 2017.

Os rappers KRS-One, Puff Daddy e Coke La Rock, o pai do hip hop, são alguns dos nomes que dão as caras no seriado e contam suas histórias no movimento. Hip Hop Evolution é interessante por mostrar todos os ângulos da cultura, inserindo em seus episódios até mesmo momentos que ainda hoje são considerados tabus no movimento, como a morte de Tupac e a relação de alguns artistas do ramo com o crime.

4 – Sintonia (2019 – )

A mais recente contribuição televisiva para o mundo do hip hop é brasileira e atende pelo nome de Sintonia. Produzida e co-dirigida por ninguém menos que KondZilla, a série nos apresenta a história de Doni, Nando e Rita, três jovens que cresceram juntos na mesma favela da cidade de São Paulo e têm suas vidas influenciadas pela ascensão do funk paulistano.

Sintonia é um outro exemplo que não se relaciona de forma direta com a cultura hip hop, mas tem lugar reservado na lista por ser um grande representante do movimento MC, que deu origem ao funk brasileiro e é um dos muitos pilares do rap. Um dos diretores da série, inclusive, é o cineasta Johnny Araújo, a mente por trás da cinebiografia do grupo de rap rock Planet Hemp, de onde saiu Marcelo D2.

O show ainda se destaca por representar de modo genuíno a forma com que a indústria fonográfica brasileira trata os gêneros musicais oriundos das periferias, como o funk e o próprio hip hop. Seu pano de fundo, portanto, é de grande validade para uma melhor compreensão de como um movimento de sub cultura surge e ganha a atenção de todo um povo.

Também uma produção original Netflix, a série acaba de sair do forno e já vem recebendo elogios da crítica especializada e do público. Ainda não há rumores sobre uma segunda temporada, mas enquanto isso o seriado pode ser assistido integralmente na plataforma.

5 – Rapture (2018 – )

Mais uma série documental de sucesso, Rapture é uma produção original Netflix que ganhou muito destaque no ano passado por conta de seus episódios divertidos e ao mesmo tempo informativos sobre a cultura hip hop.

Uma das principais vantagens de Rapture é o fato de contar a história do movimento de forma geral e a partir da visão de figuras que contribuíram para a ascensão da cultura como uma indústria que hoje é de interesse de milhões de pessoas em todo o mundo. Os rappers T.I., Rapsody e G-Eazy são alguns dos nome que dão as caras nos episódios e relatam suas experiências como expoentes e caracteres significativos para o hip hop.

A série ainda possui a intenção de ser um conteúdo que abrange toda a cultura de rua americana, de onde saíram outros movimentos semelhantes ao rap, como o disco e até mesmo o jazz. Isso é possível graças à produção do Mass Appeal, o maior coletivo urbano das Américas a tratar do assunto em produtos culturais dos mais variados tipos.

No desde março de 2018, Rapture por enquanto possui uma temporada, que pode ser assistida de forma integral na Netflix.

6 – Unsolved (2018 – )

Com a grande de responsabilidade de reconstruir momentos importantíssimos para a história do hip hop, Unsolved é um exemplo bem-sucedido de como a morte de grandes nomes do rap pode ser discutida de modo a contribuir para a cultura e não ser um produto sensacionalista.

A série atribui para si a empreitada de entender melhor o mistério que circunda os assassinatos nunca resolvidos daqueles que talvez sejam os dois maiores nomes do hip hop mundial: Tupac e Notorious B.I.G. Isso é feito em poucos episódios e a partir das considerações presentes no livro de mesmo nome escrito por Greg Kading, oficial que trabalhou nos casos e hoje é considerado um dos principais nomes no assunto.

Unsolved é uma produção que de fato pretende retratar de modo genuíno o antes, o durante e o depois dos acontecimentos que marcaram de forma inimaginável toda a cultura hip hop. A relação entre Tupac e Notorious é muito bem reconstituída e serve como um ótimo combustível para o ritmo da série, que às vezes pode ser muito pesado.

Um produção original Netflix, Unsolved possui apenas uma temporada de 10 episódios.

7 – On My Block (2018 – )

Ao lado de Sintonia na representação de séries adolescentes, On My Block é um exemplo claro de como o hip hop é importante para o desenvolvimento pessoal de jovens de todo o mundo. A história é simples: a vida de quatro amigos que esperam ansiosamente pela chegada do ensino médio enquanto lidam com os problemas da adolescência e das pressões que pessoas negras e latinas sofrem da sociedade.

A série se desenvolve, no entanto, de modo a transformar-se em um conto divertido sobre a vida de jovens americanos que dentre outros muitos amores nutrem uma grande admiração pela cultura das ruas e, é claro, pelo hip hop.

Esse subtexto é visto em On My Block de diferentes formas e sempre de modo rico e bem realista. A trilha sonora, que conta com músicas de artistas como Rock Da Goon e Slice 9, é certeira e dá o ritmo necessário e divertido aos episódios que mesclam momentos dramáticos com alívios cômicos.

On My Block encontra-se na segunda temporada e pode ser assistida integralmente na Netflix, que também produz a série e já confirmou uma terceira temporada para o ano que vem.

8 – Um Maluco no Pedaço (1990 – 1996)

Clássica! Quem nunca cantou “The Fresh Prince of Bel Air”, a música tema de Um Maluco no Pedaço? Criada no ano de 1990, a série conquistou fãs em todo mundo e até hoje é lembrada como parte da infância de muitos brasileiros que assistiam ao programa na televisão aberta.

Will Smith, ator e rapper mundialmente conhecido, é o protagonista da sitcom que retrata de forma muito bem humorada sua ida a Los Angeles para viver com os tios ricos e distantes da cultura das rua, de onde saiu.

O seriado foi responsável por colocar Smith no radar do público e de grandes produtores da indústria fonográfica. Um ano após o final da série, em 1997, o rapper lançou seu primeiro álbum solo, “Big Willie Style”, que foi um grande sucesso comercial e é considerado pelo Rock and Roll Hall of Fame um dos 200 melhores discos de todos os tempos.

Um Maluco no Pedaço integra a lista de sitcoms estreladas por nomes da música e cultura afro-americana produzidas no final dos anos 1980 e no começo dos 1990, como Out All Night (1992 – 1993), protagonizada pela cantora Patti LaBelle, e Moesha (1996 – 2001), com Brandy.

9 – Top Boy (2011 – )

Já citada por aqui, Top Boy é o principal programa televisivo sobre a cultura dos guetos londrinos. A história policial, que gira em torno do tráfico de drogas comandado pelas gangues de um conjunto habitacional de Londres, é o que conduz a série, mas as referências ao movimento hip hop surgem em um subtexto forte e que inclusive colaborou para seu sucesso comercial em todo o mundo.

A série é estrelada por Ashley Walters e Kane Robinson, dois grandes nomes do rap europeu e teve seu fim decretado pela Channel 4 – canal britânico responsável pelo show – no ano de 2013. No entanto, foi divulgado em 2017 que Drake produziria o retorno da série para a Netflix, e Top Boy voltará com o mesmo elenco ainda em setembro deste ano.

O programa possui um tom denso e muito necessário para uma maior compreensão do contexto da violência que existe nas ruas e por muitas vezes serviu de inspiração para letras de raps famosos.

10 – Narcos (2015 – )

Narcos é uma série que veio a funcionar como referência para uma gama de artistas da cultura hip hop atual. Com uma história forte e divertida de acompanhar sobre o cartel de drogas do traficante colombiano Pablo Escobar, o show mescla suspense, drama e até mesmo momentos de comédia, algo que todo seriado bem-sucedido costuma ter.

Narcos estreou em 2015 e demorou pouco para cair nas graças do público e, consequentemente, dos rappers mais influentes da indústria. Nomes como Pusha-T, SZA, Freddie Gibbs e outros artistas já citaram a série em suas músicas, demonstrando uma grande admiração pelo show protagonizado por Wagner Moura.

O grupo de trap americano Migos, inclusive, possui uma faixa que leva o nome do programa e seus membros já revelaram por diversas vezes serem grandes fãs do seriado, algo que também pode ser visto nas entrevistas que os membros dão sobre seus gostos pessoais.

Sendo uma grande musa inspiradora para a nova geração de rappers, Narcos merece seu lugar na lista. Atualmente se encontra na terceira temporada e pode ser assistida de forma integral na Netflix, que inclusive é quem a produz.

11 – Olhos Que Condenam (2019)

Representando as minisséries da lista, Olhos que Condenam é uma estreia recente que já possui toda a aclamação necessária para se sair bem nas próximas premiações. O show conta a história real de cinco meninos negros que são condenados injustamente pelo estupro de uma jovem branca ocorrido no Central Park, em Nova Iorque.

A minissérie é dirigida e escrita por Ava DuVernay, quem também está por trás de grandes filmes e seriados sobre a cultura afro-americana, como Selma (2014), A 13º Emenda (2016) e Queen Sugar (2016 – ).

Como não poderia ser diferente, Olhos Que Condenam é um documento muito forte e necessário sobre a injustiça a qual negros são submetidos principalmente nos Estados Unidos. Essa realidade sempre serviu de combustível para letras de rappers que utilizam suas músicas como plataformas políticas. Exemplos disso são o grupo Public Enemy, Big Daddy Kane e, mais recentemente, Kendrick Lamar.

12 – Cara Gente Branca (2017 – )

Para quem gosta de uma comédia mais escrachada, Cara Gente Branca, da Netflix, é um ótimo negócio. Com uma história que acompanha estudantes negros em uma universidade majoritariamente branca, a série encara, a partir do humor, problemas muito importantes e necessários de serem abordados, com sátiras à cultura branca e problematizações divertidas.

O show é baseado em um filme de mesmo nome que estreou em 2014, mas não teve muito sucesso de crítica. Quando a Netflix decidiu transformá-lo em um seriado, portanto, as expectativas estavam baixas, mas demorou pouco para que os episódios se mostrassem dignos de elogios e muito sucesso.

Além disso, é interessante acompanhar o seriado pelo caráter genuíno das retrações da cultura negra que fazem em todos os episódios, funcionando como um ótimo produto sobre o dia-a-dia daqueles que estão à frente do movimento rap, inclusive no que diz respeito às situações dramáticas.

13 – Ela Quer Tudo (2017 – 2019)

Mais uma ótima série sobre mulheres incríveis! Ela Quer Tudo é um programa dirigido por ninguém menos que Spike Lee, o gênio do cinema por trás de filmes importantíssimos para a cultura negra – como por exemplo Faça a Coisa Certa (1989) e Malcom X (1992) -, e também é baseado em um filme de mesmo nome e diretor.

A série conta a história de Nola Darling, uma mulher negra e poderosa que vive no distrito do Brooklyn, em Nova Iorque, e faz questão de agir de acordo com suas próprias regras, passando por cima de qualquer resquício de racismo e machismo que possa estar em sua frente. A premissa, assim como todo o show, gira em torno da ideia de louvar a arte e a cultura negra, algo que Lee sempre fez em seus filmes.

O movimento hip hop, portanto, tem sua importância na história e conduz episódios fortes e divertidos. Os elementos presentes em raps famosos, inclusive, são frequentemente inseridos na série, o que a transforma em um programa televisivo divertido e ao mesmo tempo de grande apelo político, sobretudo no que diz respeito a temas como apropriação cultural, sexualidade negra e arte afro-americana.

Ela Quer Tudo é ainda uma grande homenagem à obra de Spike Lee, que sempre foi tido como o principal realizador de filmes sobre a cultura negra e suas problemáticas. Você pode pode assistir a esta divertida série na Netflix, que já produziu duas temporadas de sucesso, mas decidiu finalizá-la logo após a estreia da última, em maio deste ano.

14 – Luke Cage (2016 – 2018)

O que poderia ser apenas mais uma série de super-herói acabou se tornando um grande documento cultural sobre todo o movimento negro! Luke Cage é uma das muitas adaptações dos quadrinhos da Marvel produzidas nos últimos anos e conta a história do personagem que dá nome ao seriado, quem depois de passar anos preso aparece com uma super força da qual utiliza para combater o crime na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Com discussões importantes sobre raça, contracultura e política, a série insere de modo intenso o movimento hip hop em seus episódios. Isso pode ser visto desde a trilha sonora – que conta com músicas de artistas como Method Man e dos grupos Moob Deep e Fugees -, até às participações especiais de Faith Evans, Rakim e Jadakiss.

Com duas temporadas de sucesso, Luke Cage surgiu como um grande produto sobre a cultura afro-americana e, de fato, cumpriu sua função durante o tempo que foi produzida. Veículos famosos sobre a cultura hip hop por diversas vezes definiram a série como uma grande homenagem à arte produzida nas ruas americanas.

Luke Cage foi cancelada em 2018 após divergências entre os criadores e a Netflix, que produzia a série. A plataforma, no entanto, ainda mantém os episódios de forma integral para serem assistidas.