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Após apoiar Lula, Xamã desafia público a citar rappers de direita no Brasil

Provocação foi feita após a repercussão de sua presença no movimento 'Bora Lula', reacendendo o debate sobre o espaço de artistas conservadores no hip-hop nacional.

Por
Fellipe Santos
Publicitário, comunicador e criador do Rap Mais. Apaixonado por Hip Hop. Desde 2017, conecto estratégias de comunicação para registrar o Hip Hop nacional e internacional.
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Depois de declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o rapper Xamã foi às redes sociais e desafiou o público a apontar artistas do gênero alinhados com pautas conservadoras no país. A provocação surgiu nos comentários de uma publicação da página Trapground que repercutia a manifestação do músico, na qual ele escreveu: “Marquem Aqui qualquer rapper de direita que vocês conheçam.”

A manifestação do artista aconteceu no contexto de sua participação no movimento “Bora Lula”, ao lado de cantores como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Na ocasião, Xamã defendeu publicamente que “toda roda cultural é um ato político” e pediu que integrantes do hip-hop se posicionassem. Essa visão coincide com o que o rapper já vinha afirmando nos últimos anos; em entrevista à revista Billboard Brasil, ele contou que foi o próprio rap que o politizou, o fez entender as noções de direita e esquerda e o motivou a incentivar os jovens a tirar o título de eleitor, além de registrar críticas a Jair Bolsonaro.

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Casos documentados no rap nacional

Apesar de a cultura hip-hop ter nascido associada a lutas sociais e historicamente próxima a pautas progressistas, o desafio de Xamã tem respostas registradas na história recente do gênero no Brasil. Em 2017, a Folha de S.Paulo entrevistou Luiz, o Visitante, que se definia como pioneiro do chamado “rap destra” e lançou faixas em apoio a Bolsonaro. Em 2019, o jornal britânico The Guardian também dedicou uma reportagem à cena de rap conservadora brasileira, citando PapaMike e a dupla Mensageiros da Profecia. Na entrevista, o integrante Ricardo Alves declarou voto em Bolsonaro e avaliou que essa corrente representava por volta de 1% do movimento.

Outro artista com manifestação registrada foi Shawlin, que teve apoio a Bolsonaro noticiado pela revista Vice em 2018 após ser citado em versos de Don L. Já nos comentários da publicação recente em que Xamã lançou o desafio, usuários citaram nomes como Krawk e Jovem Dex.

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As discussões em torno de posicionamento partidário voltaram com intensidade ao rap brasileiro em 2026. Nomes como Dudu MC e Djonga reafirmaram recentemente que o hip-hop carrega uma tradição política contrária à neutralidade e declararam voto na esquerda. Mano Brown também cobrou publicamente a renovação de lideranças e criticarem a acomodação no poder.