Assista “Batalha, Mina” série com a história da Batalha das Gurias de Brasília

Rap é compromisso, não é preconceito

Conheça a história das mulheres que estão fazendo barulho na capital, para desconstruir os valores machistas que por muitas vezes são cultuados nas batalhas de rimas por meio da websérie Batalha, Mina.

O primeiro episódio da websérie documental Batalha, Mina foi lançado no dia 14 deste mês e já ultrapassou as 1300 visualizações. A ideia da jornalista Isis Aisha, 22, é apresentar a realidade do Batalha das Gurias, um grupo de MC’s do DF que decidiu tentar mudar a realidade do rap nacional, criando um espaço de rimas exclusivamente feminino e se inserindo em batalhas mistas, para fortalecer a posição feminina e iniciar discussões extremamente importantes para a quebra de preconceitos e padrões machistas já há muito tempo arraigados na cultura do hip hop. A BDG surgiu em 2013, quando um grupo de mulheres que participavam, como MC’s e plateia da Batalha do Museu se reuniram para uma versão feminina do evento.

O movimento Hip Hop é hoje predominantemente masculino e um cenário muito hostil para as mulheres que se interessam por rima, se identificam com a linguagem do rap e gostariam de trabalhar com isso. É difícil encontrá-las na plateia e ainda são poucas as garotas que levantam a cabeça, sobem em palcos e sustentam agressões
machistas, assim como discursos que depreciam a imagem feminina. Então, as mulheres decidiram se juntar e criar batalhas exclusivamente femininas, para facilitar a inserção de interessadas no mundo do hip hop sem a pressão dos xingamentos de gênero e da desvalorização que pode ocorre nas batalhas. No Brasil, já existem cinco grupos: Batalha das Minas em Florianópolis, Batalha da Dominação em São Paulo, a Mana Há
mana em Goiânia, Batalha das Guerreiras e Batalha das Gurias, ambas no Distrito Federal.

A Isis foi fotógrafa do BDG por cerca de dois anos e entrou em contato com a realidade dessas MC’s, onde pode observar que essas garotas demonstram muita garra, amor, comprometimento e força de vontade para continuar estudando o rap e dando a cara a tapa nos rounds das batalhas. Porém, ao mesmo tempo, sentem as dificuldades de se inserirem no mercado artístico do Rap acentuadas por questões de gênero. O projeto da mini-série começou com um trabalho de conclusão de curso para a Universidade de Brasília, para apresentar essas guerreiras e expor os perrengues as lutas e as motivações, por meio de entrevistas e cobertura das batalhas.

A parte mais formal, do trabalho acadêmico, serviu para definir os conceitos e abordagens, além de planejar e filmar um episódio piloto. O projeto continuou, e hoje já foram lançados os três capítulos que compõem a websérie. A equipe de filmagem, produção, pós-produção e gerenciamento também foi um trabalho realizado
exclusivamente por mulheres. Ao todo, foram 22 minas, dentro das mais diversas áreas do audiovisual, que se uniram para fazer o Batalha, Mina acontecer. No início, o orçamento era bem reduzido para a produção, mas depois elas conseguiram apoio de financiamento coletivo para os custos de pós gravação, como despesas gráficas e inscrições em festivais.

Assista “Batalha, Mina” e confira as participantes da serie abaixo: