A BATEKOO Festival anunciou a Aparelhagem Crocodilo como a primeira atração confirmada para sua edição de 2026, agendada para o dia 14 de novembro em São Paulo. A apresentação do gigante da cultura paraense será apenas a segunda passagem da estrutura pela capital paulista, após ter tocado anteriormente na Virada Cultural.
Reconhecido pelas estruturas monumentais de som e iluminação em formato de réptil em LED, o Crocodilo é um dos nomes mais fortes do tecnobrega e dos ritmos periféricos da Amazônia. Com base nos bailes do bairro do Jurunas, em Belém, a aparelhagem passou por uma forte expansão a partir de 2014 e coleciona participações de destaque nacional, como a gravação com Anitta e Pedro Sampaio em “No Chão Novinha”.
Ao explicar a escolha, o sócio e curador do festival, Artur Santoro, enfatizou a importância de levar essa tecnologia sonora ao público do Sudeste.
“Trazer o Crocodilo para São Paulo é um desejo antigo da BATEKOO. A aparelhagem é uma das tecnologias brasileiras mais autênticas que temos, mas que ainda não está presente nas curadorias dos grandes festivais de música, principalmente na região Sudeste. Salvo a Virada Cultural do ano passado, somos o primeiro festival a trazer o Crocodilo para São Paulo; será sua segunda vez na cidade. A curadoria da BATEKOO sempre busca apresentar ao nosso público um panorama dos diferentes ritmos e musicalidades que estão sendo produzidos no Brasil por pessoas racializadas”, pontuou Santoro.
Representatividade e conexão com a periferia amazônica
CEO e diretor criativo do projeto, Mauricio Sacramento destacou o caráter político de colocar o gigante paraense em destaque no line-up.
“A BATEKOO sempre teve o compromisso de apresentar um Brasil que muitas vezes não ocupa os grandes festivais. Por isso, anunciar a Aparelhagem Crocodilo como a primeira atração do BATEKOO Festival 2026 é um gesto simbólico e político. Estamos trazendo uma das maiores aparelhagens do Pará para uma das primeiras apresentações em um festival fora do estado, reconhecendo a grandiosidade de um movimento cultural que nasceu na periferia amazônica e influencia gerações”, afirmou.
Para a produtora cultural e articuladora da cena musical amazônica Ane Oliveira, a presença da aparelhagem no evento fortalece o intercâmbio entre territórios e periferias.
“A representatividade sempre fez parte da sua história e, agora, esse compromisso ganha ainda mais força ao incluir uma aparelhagem na programação. Para mim, esse encontro tem um significado muito especial, porque aproxima também a cultura amazônica, negra e periférica do Norte em um dos principais festivais que carregam essa bandeira”, declarou.
Criada em 2014 em Salvador como uma festa, a BATEKOO se consolidou como uma plataforma cultural e espaço político focado na cultura negra contemporânea. A edição de 2026 do festival é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com apresentação do Mercado Livre, e os ingressos já estão listados na plataforma Shotgun.
