Conheça a história de Geizon Carlos, do nascimento em Sepetiba ao sucesso nacional no rap e nas telas.
Geizon Carlos da Cruz Fernandes, amplamente conhecido pelo nome artístico Xamã, nasceu em Sepetiba, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, e foi criado em Campo Grande. Antes de alcançar o topo das paradas do rap nacional e se destacar na atuação, o artista percorreu um longo caminho, dividindo-se entre o trabalho informal, o estudo e o sonho de viver da música.
Sua trajetória antes dos palcos reflete a realidade de muitos jovens periféricos. Xamã trabalhou como vendedor de amendoim e balas nos trens da SuperVia, camelô em Sepetiba e Campo Grande, garçom de pizzaria, entregador, atendente e gerente de loja de roupas no Méier, além de funcionário de mercadinho.
Chegou a cursar Direito na faculdade, mas abandonou a graduação para se dedicar inteiramente à cultura hip-hop.
Em um relato marcante sobre suas origens, o rapper relembrou a rotina difícil antes da fama:
“Eu acordava as 5hrs da manhã morando na estrada velha do píai em Sepetiba, levava meu melhor quadrinho na mochila, comprava o café na super via, ainda vendia amendoim no trem e descia no Méier pra abrir a loja de roupas que eu trabalhava (bem atrasado como de costume)… Escrever e lançar 2 musicas num day e bem mais fácil xuxu.”
Nascimento em Sepetiba, criação em Campo Grande e origens
Nascido em Sepetiba, onde morou até os 14 anos, Xamã mantém forte ligação com a Zona Oeste do Rio de Janeiro. De lá, mudou-se para Campo Grande, bairro decisivo no seu desenvolvimento pessoal e artístico.
O rapper, que possui ascendência indígena da etnia Pataxó herdada de sua bisavó, sempre manteve a comunidade presente em suas composições. Anos após o sucesso, o artista chegou a ser homenageado em Sepetiba com a Medalha Tiradentes, entregue no quintal da casa de sua avó, além de receber o título de Cidadão Benemérito da Cidade do Rio de Janeiro.
Por que Xamã? A origem do nome artístico.
Sempre fã de videogames, o artista buscou inspiração nos jogos para criar sua identidade nos palcos. Apaixonado pela franquia Mortal Kombat, ele inicialmente pensou em usar o nome MC Night Wolf, em referência ao personagem indígena xamã do game, uma conexão com seu apelido de infância, “Índio”, vindo de seus traços físicos. No entanto, por dificuldades de pronúncia do público, descartou a ideia.
Na sequência, tentou adotar o nome MC Deadpool, mas percebeu que também não funcionava. Após refletir, definiu e adotou definitivamente o nome Xamã, marca que o acompanha desde o início de sua caminhada no rap.
Início de carreira e batalhas de rima.
A entrada oficial de Xamã na cena musical aconteceu nas rodas de freestyle e batalhas de rima do Rio de Janeiro, como a tradicional Batalha do Tanque e os encontros sob o viaduto de Campo Grande.
No começo da trajetória, formou a dupla Xamã x Estudante ao lado do MC Estudante, projeto que durou cerca de um ano.
Mesmo após alcançar renome nacional em grandes festivais e estúdios, o artista manteve o respeito pelas batalhas de rua, chegando a anunciar projetos voltados ao retorno às batalhas de rima em momentos posteriores da carreira.
A chegada à gravadora 1Kilo.
A virada em sua visibilidade aconteceu quando Pablo Martins conheceu Xamã na Batalha do Tanque e o convidou para fazer parte da gravadora e coletivo 1Kilo. Sua estreia na banca ganhou repercussão no cypher “Reza Sincera”, projeto que acumulou dezenas de milhões de visualizações e abriu portas no cenário nacional.
Integrante do Cartel MC’s.
Em 2017, o tradicional grupo carioca Cartel MC’s passou por reformulações com as saídas de Funkero e Darryu. Na ocasião, o rapper Ber anunciou novidades e oficializou Xamã como novo integrante da formação, com quem lançou projetos de estúdio no mesmo período.
Na época, o Cartel MC’s divulgou um comunicado oficial de apresentação do artista:
“Respeitamos os fãs que simpatizam com essa ou aquela formação , deixamos expressados aqui os nossos sentimentos aos órfãos de Shadow , Darryu e Funkero .
Mas inevitavelmente, o show , no que se diz respeito a Cartel Mcs , não pode parar jamais .
Pensamos muito antes de fazer essa escolha , ponderamos dezenas de possibilidades ….
Mas o talento desse mano nos fez tomar essa decisão cirúrgica.
A partir de agora , temos orgulho de anunciar como novo integrante do Cartel um mano que nos conquistou pela pureza e, principalmente, pela vontade e pelo RAP que faz .
Seja bem vindo, XAMÃ . Temos certeza que esse nome será um dos grandes do Rap Nacional em pouco tempo .
Aqueles que não o conhecem , conhecerão em breve e entenderão nossa escolha .
CARTEL MCS agora é Ber, Delarima, Xamã e Dj Erik Skratch.
Já estamos trabalhando no disco novo da nova formação. Trabalhamos com a estimativa fe lançamento pra até o final desse semestre.
CARTEL IMORTAL .
Obrigado aos fãs que ainda apostam e acreditam na gente . Nossa vitória não será por acidente.”
Trajetória no coletivo Brutang 44.
Criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro pelo rapper GuerraMC, o coletivo BruTang 44 nasceu com o objetivo de unir MCs, B-boys, DJs e grafiteiros em torno do hip-hop com rimas marcantes e raízes de batalha. Inspirados pelo grupo norte-americano Wu-Tang Clan, Guerra convidou Xamã e MC RD para dar início aos trabalhos do grupo.
Após a perda do pai de GuerraMC aos 44 anos em um acidente no final de 2015, a banca adotou o nome Brutang 44 como homenagem.
O grupo percorreu o circuito carioca marcando presença na cena underground. Xamã popularizou o número 44 em suas rimas por todo o país, transformando a marca em símbolo da Zona Oeste.
Evolução da carreira, discografia e atuação nas telas.
A partir de 2018, Xamã consolidou sua carreira solo. Lançou os álbuns de estúdio Pecado Capital (2018) e O Iluminado (2019), alcançando grande projeção popular com o disco Zodíaco (2020), impulsionado pelo hit “Malvadão 3”. Seguiram-se o EP O Último Romântico (2023) e o álbum Fragmentado (2025), além de parcerias como a faixa “Moça“, com Ludmilla.
Em 2024, venceu o Grammy Latino na categoria Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa com a faixa “Cachimbo da Paz II”, gravada em parceria com Gabriel O Pensador e Lulu Santos.
Paralelamente à música, o artista expandiu sua atuação para as telas. Destacou-se como ator ao interpretar o personagem Damião no remake da novela Renascer (2024, TV Globo), além de integrar produções como Justiça 2, Cangaço Novo, Os Donos do Jogo, Três Graças e o filme Cinco Tipos de Medo. A transição para o audiovisual marcou presença em momentos da televisão brasileira, como sua celebração nas produções da TV Globo.






