Arte: Nando Motta

Emicida, FBC, Karol Conka, Drik Barbosa e uma série de artistas e fãs de hip-hop se juntaram ao movimento para pedir justiça no caso do menino João Pedro.

Mais um caso de morte de um jovem por conta de operações policiais em favelas chocou as redes sociais nesta semana. Um adolescente de 14 anos foi baleado e morto durante uma operação da Polícia Federal, com apoio da Policia Civil, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo no Rio de Janeiro, na noite desta segunda-feira (18). A família do adolescente João Pedro Mattos Pinto estava sem notícias dele até a manhã desta terça-feira (19), quando foi informada de sua morte.

Segundo parentes do garoto, a polícia invadiu a casa. “Os policiais saíram atirando”, escreveu um primo em uma rede social. Um dos presentes teria gritado que só havia crianças na residência, deitadas no chão e com as mãos para cima. Imagens mostram a parede de um dos cômodos da casa atingida por uma série de disparos.

Segundo a Polícia Civil, João Pedro Mattos Pinto foi atingido durante um confronto na comunidade enquanto policiais federais e civis atuavam na região. O jovem foi levado da casa de helicóptero. Os parentes afirmam que ele foi levado na aeronave sem que qualquer pessoa pudesse acompanhá-lo ou saber para onde ele estava sendo levado.

O caso, que em fria analise lembra muito o da menina Agatha, chocou as redes sociais e a comunidade do hip-hop. Muitos artistas, fãs e ativistas ligados com a cultura se manifestaram mostrando repudio, indignação, frustração, impotência e tristeza. Um grande sentimento de injustiça e revolta fez a comunidade se unir para pedir respostas e justiça no caso de João Pedro. Artistas como Emicida, Karol Conka, FBC, Coruja BC1, Febem, Mc Rebecca, Drik Barbosa, Azzy, Rincon Sapiência, Iza e muitos outros mostraram apoio ao movimento e expuseram sua visões sobre a triste realidade de milhões de pessoas que vivem nas comunidades pelo Brasil.

Confira algumas das reações abaixo.

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O João Pedro tinha 14 anos. Estava dentro de casa brincando com os primos. O Estado genocida através da polícia atingiu esse jovem, sumiu com seu corpo ainda com vida. A família só encontrou hoje o João Pedro, no IML de São Gonçalo. Mais uma vida interrompida pelo racismo, pela brutalidade policial, pela estrutura que tira a vida dos nossos todos os dias. A morte dele e de tantas vidas pretas é normalizada, principalmente nas favelas, como se não fosse nada, como se não valesse nada todos os sonhos e o direito a vida que todos temos e arrancam de nós. É revoltante. Não imagino a dor dessa família e de tantas outras que são vítimas e alvo das atrocidades planejadas pelos falsos líderes e apoiadas por MUITOS nesse país. A falsa justiça, que só funciona para o bem de alguns e que continua acobertando quem tira vidas negras. A segurança pública tira vidas. Não aguentamos mais! #vidasnegrasimportam

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