Discussão sobre melhores discografias do Rap nacional expõe divisão entre fãs na internet

Debate no X movimenta a cena com comparações sobre o impacto de BK', Don L, Emicida e o peso de álbuns conceituais no hip-hop nacional.

Por
Fellipe Santos
Publicitário, comunicador e criador do Rap Mais. Apaixonado por Hip Hop. Desde 2017, conecto estratégias de comunicação para registrar o Hip Hop nacional e internacional.

Fãs de Rap movimentam as redes com debates acalorados sobre o peso dos discos lançados recentemente.

Uma discussão calorosa tomou conta das redes sociais nos últimos dias, colocando em pauta as melhores discografias do rap brasileiro e a qualidade das produções recentes.

O debate ganhou força a partir de questionamentos sobre trabalhos conceituais e rapidamente descambou para comparações diretas entre grandes nomes da cena nacional.

O ponto de partida foi uma reflexão sobre a onda de álbuns que tentam parecer mais profundos do que realmente são.

O usuário @pivetenerd criticou essa tendência no X ao comentar sobre a “leva de álbuns pseudo-intelectuais” no rap.

“Ninguém tem conceito, eles fingem ter conceito”, afirmou o internauta, ironizando o uso de samples de MPB e capas elaboradas como fórmulas para criar uma falsa aura de poesia.

A partir daí, o nome do rapper carioca BK’ virou o centro do debate. Uma usuária comentou que achava o artista “apenas bom”, o que gerou reações imediatas da base de fãs e de críticos do seu trabalho atual.

Em resposta, outro perfil rebateu que classificar BK’ dessa forma é exagero, mas ponderou que a fanbase age como se ele ainda estivesse no auge do disco O Líder em Movimento, lançado em 2020.

A provocação levou o internauta @pfelipess_ a desafiar os críticos nas redes: “me fala qual outro artista do rap tem uma discografia melhor desde 2020”.

A pergunta abriu espaço para uma lista variada de nomes citados pelos ouvintes, incluindo artistas de diferentes gerações e vertentes do hip-hop brasileiro.

No contra-ataque, outros usuários citaram nomes como Don L, LEALL, VND, Sant, Baco Exu do Blues, Febem, FBC, Rashid e Emicida, alegando que o público muitas vezes se prende ao saudosismo ao avaliar a relevância do BK’. Em resposta, defensores do artista carioca afirmaram que os projetos ICARUS e OLEM continuam superiores à maioria dos lançamentos recentes e que a menção a tantos nomes só reforça o protagonismo dele no gênero.

O debate também trouxe à tona comparações com a lírica e a bagagem de veteranos e nomes consolidados. Para o perfil @AcarajeCeo, existe uma distância clara quando se analisa técnica e construção no rap nacional: “Pós Brown, poucos estão na prateleira de Don L, Emicida, OGI e outros. Você ouve Don L, é uma aula de lírica, técnica, flow. É outro jogo”.

Por outro lado, parte dos ouvintes criticou a forma como essas comparações são feitas na internet, apontando que muitos citam clássicos e nomes respeitados apenas para desmerecer novos trabalhos.

Como resumiu o usuário @svgxandy, “no Twitter todo mundo é fã do Kamau, do Ogi, do Emicida e do Black Alien só para desmerecer artista X ou Y, mas a grande verdade é que boa parte dessa rapaziada nunca ouviu nada”.

Veja abaixo alguns tweets:

 

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