Em conversa no Achismos FM, Don L detalhou a diferença entre venda física e streaming
O rapper Don L criticou a tese de que a era do CD era financeiramente mais vantajosa para os artistas do que o mercado de streaming atual. A declaração foi dada durante participação no programa Achismos TV e apresentada por Ronald Rios ao lado de Arthur Petry.
Ao analisar a estrutura da indústria musical, o cearense rebateu quem defende o retorno ao formato físico sob a justificativa de maior rentabilidade. “Eu acho a maior bobagem essa galera que fica falando que o CD dava mais dinheiro que o streaming, isso é uma mentira deslavada, não chega nem perto”, afirmou durante a conversa exibida nesta semana.
O artista ressaltou que, no modelo antigo focado em grandes gravadoras, os custos operacionais com prensa, logística e distribuição consumiam quase todo o faturamento. Com isso, a quantia final repassada a quem criava a música ficava restrita a centavos por unidade comercializada, em uma venda que acontecia uma única vez.
Don explicou que a lógica das plataformas digitais funciona de maneira diferente devido à receita recorrente da assinatura. “O Spotify, se o cara te ouvir por 10 anos, ele vai tá pagando por 10 anos, porque ele tá pagando pela assinatura.”
Na avaliação de Don L, a soma acumulada ao longo dos anos por um ouvinte assíduo supera o valor fixo recebido por um disco físico no passado. “Provavelmente a pessoa que escutou o mesmo disco meu por 10 anos me pagou mais do que ele teria me pago se tivesse me dado 50 centavos por um CD que ele comprou e usou 10 anos. Isso é muita bobagem falar que ‘vamos voltar pro CD’. Isso é totalmente fora da realidade”, disse.
Crítica às plataformas sem romantizar o passado.
Apesar de defender a vantagem financeira do modelo digital em relação às gravadoras tradicionais, Don L fez questão de frisar que não considera o streaming um sistema perfeito. Ele destacou que a distribuição digital ainda precisa evoluir nos repasses por reprodução, mas ressaltou que a nostalgia do formato físico ignora a realidade enfrentada pelos artistas no modelo antigo.
“O streaming tem muita coisa pra melhorar, mas não dá pra voltar pra Idade da Pedra”, concluiu Don L, reforçando que os problemas atuais de remuneração não devem ser encarados com a idealização de um mercado que repassava centavos aos criadores.






