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Dr. Dre fala sobre inteligência artificial e revela que está usando ela em seus trabalhos

Em entrevista ao The New York Times com Jimmy Iovine, o lendário produtor comparou a rejeição à tecnologia ao surgimento das baterias eletrônicas.

Por
Fellipe Santos
Publicitário, comunicador e criador do Rap Mais. Apaixonado por Hip Hop. Desde 2017, conecto estratégias de comunicação para registrar o Hip Hop nacional e internacional.
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O produtor Dr. Dre voltou a movimentar o cenário do hip-hop ao defender abertamente a inteligência artificial na produção musical e confirmar que já utiliza a tecnologia em suas próprias sessões de estúdio. Em entrevista ao jornal The New York Times ao lado do executivo Jimmy Iovine, publicada no último domingo (23), o lendário produtor explicou que usa programas de IA para testar variações e novas possibilidades em cima de materiais que acabou de gravar.

Para Dre, o temor em torno dos novos softwares não faz sentido para quem realmente domina a arte da criação. “Eu não vejo a IA na música como uma ameaça. Acho que as únicas pessoas que veem isso como uma ameaça são aquelas que têm dificuldade para criar”, afirmou o produtor, rebatendo as críticas que a tecnologia vem recebendo de parte dos fãs.

Comparação com baterias eletrônicas e Ghost Producers.

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Ao detalhar sua visão, o produtor rebateu os críticos comparando a resistência atual às inovações do passado. “Você parece a pessoa que teria sido contra a bateria eletrônica quando ela surgiu. Ou contra os sintetizadores, não é? É uma nova ferramenta para a criatividade. Algumas pessoas têm medo de aprender coisas novas. Eu estou abraçando isso e mal posso esperar para ver o que vai acontecer”, declarou Dre.

O cofundador da Interscope Records, Jimmy Iovine, concordou com o posicionamento de Dre e destacou que não enxerga pontos negativos no uso da ferramenta por pessoas talentosas. Ele também apontou que muitos produtores usam a tecnologia em segredo nos bastidores para evitar retaliações do público, que tem reagido com rejeição a lançamentos que utilizam recursos gerativos.

Cena do hip-hop dividida entre inovação e violação de direitos

A declaração de Dr. Dre reacendeu uma discussão profunda que divide o hip-hop em dois lados bem definidos. De um lado, produtores e artistas como Timbaland, 50 Cent e Tyga encaram a inteligência artificial como uma evolução inevitável da indústria. O próprio 50 Cent já chegou a declarar que não é possível derrotar a IA e que a cena precisa encontrar formas de criar negócios em torno dela. Recentemente o rapper Tyga recebeu muitas criticas por lançar um álbum com ajuda da Inteligencia Artificial.

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Por outro lado, uma grande parcela de artistas denuncia o uso não autorizado de seus catálogos e a clonagem de vozes por softwares de IA. Em junho de 2026, a cantora SZA fez um desabafo público ao descobrir que 238 de suas faixas, incluindo canções inéditas, foram usadas sem permissão para treinar modelos gerativos, classificando a prática como uma violação inaceitável.

Outros nomes de peso do rap, como Ice Cube, Young Guru e Drake, também se posicionaram de forma categórica contra a recriação sintética de timbres sem consentimento. Ice Cube já avisou publicamente que pretende processar qualquer pessoa que tente manipular sua voz original sem pagamento de direitos autorais, exigindo regras legais rígidas e proteção aos artistas.

A preocupação também mobilizou a indústria de forma coletiva: mais de 200 artistas, incluindo Nicki Minaj e Metro Boomin, assinaram uma carta aberta organizada pela Artist Rights Alliance para exigir o fim do uso predatório da inteligência artificial na música. Enquanto gigantes do mercado como Dre tratam a IA como um simples instrumento de estúdio, a maior parte da cena segue cobrando regulamentação para proteger o trabalho e a identidade dos criadores.

 

MARCADO:
Publicitário, comunicador e criador do Rap Mais. Apaixonado por Hip Hop. Desde 2017, conecto estratégias de comunicação para registrar o Hip Hop nacional e internacional.
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