Emicida se posicionou publicamente contra o tratamento superficial que o escândalo financeiro do Banco Master vem recebendo nas redes sociais. O rapper cobrou seriedade nas apurações e alertou que a cobertura e as conversas sobre o caso não podem reduzir os prejuízos a um entretenimento de bastidores, deixando de lado o impacto direto sobre a população vulnerável.
Em suas redes sociais, Emicida compartilhou um post que tinha o video “Grandes Igrejas, Master Negócios”, episódio da série Revelando apresentado por Fábio Porchat.
Com cerca de 30 minutos, a produção detalha conexões entre o banqueiro Daniel Vorcaro, sua família, a Igreja Batista da Lagoinha e diferentes articulações empresariais e políticas que estão sob investigação. E
“Me incomoda que haja uma tendência a tratar do caso banco master com ares de fofoca divertida. Existe uma dimensão dessa tragédia do setor financeiro que não pode desaparecer da discussão sobre ele”, escreveu o músico. “Aposentados, pensionistas e todo tipo de gente honesta que teve sabe-se lá que passar por qual tipo de privação devido a ganância e maldade de um grupo de covardes viciados em dólares precisam que a justiça seja feita (e seja feita longe de qualquer mão que apertava as do Vorcaro).”

O artista ainda ressaltou a ligação do caso com a esfera pública e fez um alerta direto para as próximas eleições.
“Parabéns a todos que produziram esse vídeo, que possamos ser racionais e entender melhor o tamanho do estrago, as redes entre isso e o poder político/judiciário e o mais importante. Expulsar da vida pública de forma definitiva todos os que forem culpados por tamanha desgraça. A eleição é logo ali. Atenção”, concluiu.
Fraudes em consignados e desdobramentos da investigação
A cobrança de Emicida sobre os danos a beneficiários da Previdência se apoia em dados oficiais das apurações. Em fevereiro, o Ministério Público Federal indicou que cerca de 250 mil contratos de crédito consignado do Banco Master continham indícios de irregularidades ou fraudes, recomendando o ressarcimento das vítimas após as operações serem invalidadas pelo INSS.
Levantamento obtido pela CNN via Lei de Acesso à Informação apontou que aposentados e pensionistas movimentaram R$ 701,2 milhões em consignados da instituição entre janeiro de 2023 e novembro de 2025.
A crise do grupo se aprofundou em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master por crise de liquidez e descumprimento de normas regulatórias.
Paralelamente, a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, avançou sobre suspeitas de circulação de carteiras de crédito sem lastro.
O processo também trouxe à tona ligações de figuras como Flávio Bolsonaro, com quem Vorcaro estava envolvido para um financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, obra fictícia voltada à trajetória política do ex-presidente preso Jair Bolsonaro (PL), que recebeu repasses que somaram R$ 61 milhões.
Também foi reveladocontratos de prestação de serviços com bancas de advocacia ligadas a familiares de autoridades do judiciário, como o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que recebia honorários de R$ 3 milhões mensais e declarou que seu contrato cessou com a liquidação da instituição bancária, além de relatórios da PF indicando acesso indevido de pessoas próximas ao grupo a dados de investigações e sistemas policiais.
Me incomoda que haja uma tendência a tratar do caso banco master com ares de fofoca divertida.
Existe uma dimensão dessa tragédia do setor financeiro que não pode desaparecer da discussão sobre ele. Porchat, meu camarada, com seu jeito fantástico de contar histórias fez um… https://t.co/tO5iwNzd6N
— emicida (@emicida) September 22, 2026






