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Engrenagem Urbana lança releitura de clássico do Xis, confira “Sonho Meu”!

Por
Fellipe Santos
Publicitário, comunicador e criador do Rap Mais. Apaixonado por Hip Hop. Desde 2017, conecto estratégias de comunicação para registrar o Hip Hop nacional e internacional.

Grupo interpreta de maneira emocionante um dos clássicos mais importantes do rap brasileiro.

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No ano de 2002, o rapper paulistano Apelidado Xis lançava seu segundo álbum oficial, com o nome “Fortificando a desobediência”. Além dos sucessos: “Chapa o Coco”, “Tudo Por Você Também”, o álbum trazia o clássico “Sonho meu”, com produção de Zé Gonzáles e participação de Cibelle Cavalli. Agora em 2018, 16 anos após o lançamento, a banda Engrenagem Urbana, conterrânea do rapper, revisita a musica “Sonho meu”, e em parceria com a Porqueeu Filmes, relança a música e o videoclipe, mantendo os versos impactantes e contundentes de
Xis, mas utilizando novos acordes. Assista abaixo:

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Paulistana de Itaquera, a Engrenagem Urbana nasce da parceria de músicos inquietos envolvidos com a movimentação cultural da Zona Leste. Formada pelo produtor musical e tecladista Kiko de Sousa, o percussionista/baterista e beatmaker Thiago Rocha, o baixista Call Gomes e o vocalista e MC Samuel Porfirio.
Na trilha independente desde 2010, após o primeiro EP que leva o nome da banda e o segundo “Leve toda dor” (2014) o terceiro trabalho marca o amadurecimento da banda e aposta em arranjos com influência de jazz, soul e R&B, conduzindo o lirismo poético no EP “Mil histórias de uma cidade, para mil e um corações”.

A banda já participou de shows com grandes nomes da música brasileira como Criolo, Rincon Sapiência, Xis, Emicida, Tulipa Ruiz, Arnaldo Antunes e Chico César. O ultimo EP do grupo, marca a força da cena do rap em Itaquera, com participação dos conterrâneos Xis e Rincon Sapiência, também a cantora Tássia Reis, Jeffe e D’Cazz. 

Conversamos um pouco mais com o coletivo sobre suas origens, inspirações e objetivos. O resultado dessa conversa você confere abaixo.

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Como e por que começaram a carreira?

Todo mundo aqui faz musica à mais de 10 anos pelo menos. Mais que isso, todos participaram
de cenas locais e desenvolveram muitas coisas nessa caminhada. Engrenagem Urbana surgiu em
2010 na necessidade que tínhamos de um experimento não visto ainda na ocasião. Todos os
músicos envolvidos na época de formação, vinham de outros trabalhos já executados em ritmos
alternados como Reggae, Mpb, Jazz. Alinhamos todas essas experiências anteriores à isso
quando pela primeira vez tínhamos um vocal rap. Ornou e passamos a desenvolver as musicas
criar conceitos e acreditamos até que seja o trabalho mais maduro de todos nós.

Quais são suas influencias e inspirações?

Como falamos, trouxemos vários fragmentos das nossas próprias vivencias, desde de ouvir
musica, fazer musica com nossos familiares à ver os grupos de pagode e rock de garagem da
nossa quebrada. O Reggae foi um estilo muito forte no nosso bairro, mas ninguém ficou preso
nisso. Surgiu o Jazz, Surgiu o Rap, o Soul, o Blues. Ai você junta mais cabeças, mais ideias, mais
influencias e quando vai ver está ouvindo um novo gênero. E as vezes é novo só pra você. Não
dá pra listar nomes porque são muitos mesmo. Mas a banda hoje tem como fio condutor o Rap
alinhado ao Jazz, Reggae e R&B. Acho que é o mais comum entre os acordes.

Como definem o estilo do grupo?

Essa “definição” é bem difícil uma vez que o Engrenagem não é só MC e DJ e se intitula Rap.
Tem o teclado, tem o baixo, tem o MpC, percussão, já teve guitarra, trio de metais, bateria e se
tivesse que ter uma orquestra junto teria também. Até na pronuncia “banda” Engrenagem
difere de por exemplo de: “o grupo” Tal …Entende ? Então não que rejeitamos algum rotulo,
mas nunca ouve uma necessidade primordial de estabelecer uma definição. Somos a banda
Engrenagem Urbana e representa o Rap da Zona Leste.

Como veem a cena do rap nacional hoje?

Mais abrangente, mais rápida , menos politizada, mais profissional, mais opções. Tá menos
aprisionado em uma ideia só. Isso tem os prós e os contras. Tem Rap pra todos estilos e gostos.
Tem rap de responsabilidade social, de entretenimento, dançante, rap chato, rap legal, rap
contemporâneo, tá recheado. Quando se tem muita quantidade esbarra na qualidade, mas ai é
um campo mais pessoal, cabe cada um fazer seu filtro. Somos em 4, tem rap que agrada um não
agrada o outro. Vale a pena ressaltar que o rap deu um passo muito relevante, que é a ascensão
das mulheres e dos grupos que lutam pelo direito LGBT. Muita coisa ainda precisa acontecer,
mas já é um avanço e esse resultado é mérito das lutas e dos diálogos provocados.

O que o trabalho de vocês traz para a cena?

A proposta é inovadora, como falamos chegamos como banda quando ninguém estava
utilizando esse formato. Mantivemos o estilo aprimorando e reformulando tudo desde
formação à profissionalização do nosso trabalho. Agora revisitamos um clássico como a “Sonho
Meu” do Xis e não só tocamos como gravamos um clipe por entender a importância e o resgate
da nossa historia. É difícil hoje você vê um m.c novo buscar saber quem foi que deixou o terreno
mais fofo. Achamos que foi uma atitude ousada afinal a musica já existia na cabeça dos mais
velhos, e mexer nisso é mais passivo ter a rejeição do que a aclamação. E ainda ter que
despertar o interesse nos mais novos de versos que podem não fazer sentido algum pra ele
sabe? Até o presente momento desde o Xis as pessoas que ouviram parabenizaram. Trazemos a
mor , respeito e trabalho pra cena.

Como aconteceu esta conexão com os artistas Rincon Sapiência e Dcazz?

Rincon é pauta no Engrenagem desde sempre. Achávamos incrível como as pessoas demoraram
pra enxergar o tamanho do artista que estava aqui. Não é a toa que desde quando
desenvolvíamos eventos, sempre havia um convite. Desde do “Zona Leste tá na casa” isso em
2013 na casa fora do eixo, evento que nós produzimos ele era o convidado. Quando fomos tocar
no Sesc Consolação, Campinas era nosso convidado. Quando fomos para Sesc Prudente em
2015 convidamos ele e o Xis pra um debate sobre Nova escola x velha escola, um show junto
dividindo palco nós três, e a cada evento a mesma pergunta. Quando vão dar o devido valor pra
ele? Rincon foda desde sempre, merecedor por tudo que vem acontecendo. Pós esse show de
Prudente, estávamos produzindo o ep, e a vibe foi tão boa que convidamos ambos pra participar
do Ep. Eles toparam e gravamos o clipe São Paulo dos Marginais.

Dcazz foi uma sugestão do Kiko quando viu uma apresentação do grupo SEMPRE. Já havíamos
praticamente finalizado o Ep e já tinha a participação do Rincon, Xis, Tassia Reis e Jeffe, ai surgiu
a musica “Gosto Muito de Você” que tinha um refrão melódico… fizemos o convite e ele topou,
e gravou super bem de costume… fizemos algumas apresentações e Dcazz estava sempre no
elenco. Outro grande talento que logo logo vai despontar.

Quais são seus projetos futuros?

Esta amadurecendo a ideia de um novo EP, singles, clipes. Não falta inspiração nem vontade, o
que dificulta é o imediatismo do mercado. É questão de se organizar e adaptar pra estar em
sintonia periódica ou não rs . É bem mais complicado gravar instrumento por instrumento,
requer tempo. Mas acreditamos que em breve tem novidades ai nas redes.

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