Publicidade

Erika Hilton aciona Secretaria Nacional do Consumidor contra o fim dos jogos em mídia física no PlayStation

Representação enviada à Senacon aponta que consoles com leitor de disco são vendidos por valor maior aos consumidores.

Fellipe Santos
Publicidade

Erika Hilton protocolou uma representação na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para investigar a recente decisão da Sony de encerrar a produção de jogos em mídia física para o PlayStation. A medida da multinacional, prevista para entrar em vigor em 2028, gerou forte reação da comunidade de jogadores e agora entra na mira dos órgãos federais de defesa do consumidor.

A iniciativa da parlamentar, que integra a Comissão de Defesa do Consumidor, questiona a legalidade e o impacto financeiro da mudança. Um dos principais pontos levantados envolve o valor dos consoles atuais. Os modelos do PlayStation 5 equipados com leitor de disco são vendidos por preços consideravelmente mais altos do que as versões exclusivamente digitais.

Publicidade

“Há problemas evidentes nisso: os consoles vendidos hoje contam com o leitor de mídia física e continuam sendo vendidos. Inclusive, os consumidores pagam a mais pelas versões com leitor”, argumentou Erika Hilton. Para ela, a comercialização desses aparelhos gera um compromisso implícito de que a entrada de disco continuará tendo utilidade nos próximos anos.

Outro ponto crítico destacado na denúncia é a publicidade da empresa. A investigação deve apurar se a Sony utilizou jogos futuros, que agora serão lançados apenas digitalmente, para impulsionar a venda do console físico.

Publicidade

A mudança para o formato 100% digital também levanta debates profundos sobre a posse dos jogos. Diferente do disco físico, que pertence ao comprador, o formato digital funciona sob licenciamento. Na prática, as distribuidoras mantêm o direito de revogar essas licenças, o que pode fazer com que títulos simplesmente sumam da biblioteca dos usuários.

“A venda exclusivamente digital de jogos também fortalece o monopólio das lojas de cada empresa de consoles”, apontou. Sem a mídia física, os consumidores perdem a liberdade de revender, trocar ou emprestar seus jogos, ficando reféns dos preços praticados na loja oficial da plataforma.

A parlamentar alertou para um cenário futuro dominado por assinaturas de múltiplos níveis, anúncios integrados e a perda definitiva de acervos pessoais de jogos, citando também práticas de outras gigantes do setor, como Microsoft e Nintendo.

Mesmo confessando ter apenas o clássico GTA em sua biblioteca pessoal e ser “viciada em fazer apenas a missão do avião”, Erika Hilton reforçou que a pauta é urgente para proteger o bolso do trabalhador que consome cultura e entretenimento. A Senacon deve analisar a representação para decidir se abrirá um procedimento administrativo oficial contra a Sony.

MARCADO: