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Estudo mostra que mais de 40% das músicas lançadas no Spotify usam IA, mas 92,7% ficam abaixo de mil plays

Levantamento da Universidade de Chicago expõe enxurrada de produções automatizadas que tentam burlar algoritmos no streaming.

Por
Fellipe Santos
Publicitário, comunicador e criador do Rap Mais. Apaixonado por Hip Hop. Desde 2017, conecto estratégias de comunicação para registrar o Hip Hop nacional e internacional.

Levantamento revela disparo de produções automatizadas nas plataformas e o desinteresse real dos ouvintes por robôs

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O volume de faixas criadas por inteligência artificial disparou nas plataformas digitais, mas a imensa maioria não consegue alcançar público real. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Chicago revelou que as produções por IA ultrapassaram 40% dos lançamentos semanais no Spotify. No entanto, 92,7% dessas músicas recebem menos de mil reproduções, o limite mínimo estabelecido pelo serviço de streaming para remunerar os criadores.

Em comparação com a produção humana, na qual 67,5% das faixas ficam abaixo da marca de mil execuções, o desinteresse pelas faixas automatizadas é ainda mais acentuado. Atualmente, o material gerado por máquinas representa cerca de 5,1% do catálogo total do Spotify, mas rende apenas 0,3% dos royalties mensais distribuídos pela empresa.

Operações em massa e alcance limitado

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A pesquisa indica que quem utiliza ferramentas automatizadas costuma adotar uma estratégia de bombardeio nos algoritmos. Desde 2024, esses operadores publicam em média 27 faixas por conta, o dobro da média de artistas humanos, espalhando áudios por diversos gêneros em busca de qualquer recomendação automática.

Apenas 0,1% das faixas de inteligência artificial alcançaram a marca de 100 mil reproduções no Spotify. Além disso, somente 0,27%, o equivalente a 1.632 músicas no universo analisado, conseguiram gerar mais de US$ 1.000 em direitos autorais.

“Com essa escala, acredito que é preciso haver mais proteções para que essa onda de músicas de IA no estilo ‘spam’ não impacte negativamente os artistas humanos”, afirmou Stanley Wu, pesquisador principal do levantamento.

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Para tentar dar transparência aos ouvintes, a equipe do laboratório SAND desenvolveu a extensão Quicksilver para navegadores, capaz de identificar se o áudio reproduzido veio de geradores automatizados como Suno ou Udio. “Dado que existe tanta música de IA por aí e que os usuários normais não conseguem notar a diferença, oferecer uma ferramenta para identificar essas músicas foi uma solução natural”, explicou Wu.

Reação do mercado e combate às fraudes

O impacto dessa enxurrada de arquivos automatizados afeta todo o mercado do streaming. Em dados detalhados pelo Music Business Worldwide, a Deezer reportou que mais de metade dos envios diários em sua plataforma já é feita por robôs, mas cerca de 85% dessas audições eram fraudulentas.

“Agora que metade de todos os envios diários são faixas geradas por IA, estamos tomando medidas adicionais para proteger os direitos de artistas e compositores, mantendo o foco na música que os fãs realmente amam”, declarou Alexis Lanternier, CEO da Deezer.

Diante desse cenário, plataformas como o Bandcamp baniram conteúdos automatizados, enquanto o Tidal suspendeu o pagamento de royalties para criações 100% robóticas.