Felipe Poeta lançou recentemente o EP Clubber’s Fever, projeto de cinco faixas que traduz as diferentes fases de uma noite de festa em uma narrativa sonora.
O trabalho foca nas dinâmicas da pista e traz uma homenagem direta ao rapper nova-iorquino Action Bronson na faixa “Bronsons Lasagna”.
Em entrevista ao RapMais, o produtor explicou a ideia por trás da sequência das faixas, pensada para acompanhar o ouvinte desde o pôr do sol até o amanhecer em um circuito pela cidade.
“Eu queria fazer um projeto que pudesse incorporar aquela noite que você não queria sair de casa, só ia tomar uma cerveja ou encontrar uns amigos pra ver o pôr do sol, e quando foi ver tá chegando em casa 6, 7 horas da manhã”, disse Felipe Poeta. “Esse EP meio que engloba isso. Eu já tinha várias faixas que incorporavam vários moods de festa diferentes”.
A relação do artista com o hip-hop nova-iorquino aparece marcada em “Bronsons Lasagna”. Nascido em Nova York durante o período em que seus pais trabalhavam nos Estados Unidos, Poeta nutre admiração pela figura e pelo estilo do rapper, chef e apresentador Action Bronson.
“Além da persona dele, eu nasci em Nova York quando meus pais trabalhavam lá, então essa figura nova-iorquina me encanta muito. Tirando as rimas dele que são muito inusitadas, eu gosto muito do senso estético dele, seja pra diferentes gêneros musicais, moda ou cozinha”, explicou o DJ. “Por isso botei o nome da faixa como Bronson’s Lasagna, como se fosse lendo num cardápio de alguma noitada”.

A aproximação entre hip-hop, funk e música eletrônica.
Ao analisar como o rap e a música eletrônica se cruzam, Felipe apontou que o funk brasileiro já se estabeleceu como uma das expressões mais fortes desse encontro no cenário internacional, além de destacar a presença constante dos MCs na cultura de pista.
“O gênero mais famoso de música eletrônica no Brasil é o funk. O funk é visto já mundialmente como um gênero de música eletrônica, seja em festivais gigantes ou internacionais. E a cultura do MC sempre prevaleceu firme dentro da música eletrônica, seja no UK Garage, em Londres com os MCs de drill e trap, vindo do dub system e do reggae”, pontuou o produtor.
Ele também relacionou vertentes locais a movimentos globais de música eletrônica, comparando a estética do Mandelão paulista ao som industrial do techno de Berlim e citando o crescimento do house com funk.
Para Poeta, a nova geração de produtores e beatmakers tem aproveitado o avanço tecnológico para buscar timbres diferenciados diretamente no computador, citando inclusive o uso do Miami Bass por Veigh na faixa “Talvez Você Precise de Mim” como exemplo desse resgate de sonoridades urbanas.
Parcerias e vontade de colaborar com Ajuliacosta.

Acostumado a trabalhar com a voz como um instrumento dentro de suas produções, Felipe Poeta já assinou remixes de faixas com Mc Max e Dequin, além de lançar colaboração com SD9.
Quando questionado sobre quem escolheria no Rap nacional para uma colaboração inédita sobre alguma das faixas do seu projeto, o produtor destacou o nome da rapper Ajuliacosta.
“Se fosse rapper eu teria que escolher então a Ajuliacosta. Eu acho que a Ajuliacosta ia ser muito braba dentro de uma base de garage assim”, afirmou.
O EP Clubber’s Fever já está disponível nas plataformas digitais. O projeto traz também as faixas “Moody” (com referências ao jazz house e ao DJ Moodymann), “The House Owl” e “Dancing Viola”, todas gravadas em formato de live set para preservar o imediatismo e a energia da pista.
