Filipe Ret fala sobre show com fãs armados: “A função do Rap é transformar esses caras”

Escrito por Vinicius Prado 29/03/2018 às 17:56

Foto: Divulgação
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Nas últimas semanas vimos um vídeo de um show de Filipe Ret circular nas redes sociais, o no vídeo homens armados aparecem na plateia do show de Ret enquanto ele performava algumas de suas músicas, o show foi feito no morro do Fogueteiro, uma favela no Rio de Janeiro.

O vídeo ganhou destaque na TV e na internet e milhares de compartilhamentos, fazendo a equipe de Ret até mesmo se pronunciar devido ao sensacionalismo que começou a ter, agora em entrevista com a Vice, o rapper explora mais sobre o assunto.

“Acho que a juventude do povo é de fato o público do rap, ainda mais numa cidade tão simbólica e tão perigosa como Rio, onde os poderes paralelos são tão intensos. Eu conheço muita gente do povo que vem me contar que minha música fez elas investirem nos negócios delas, e fez elas prosperarem e que ouvem até hoje para estimular a trabalhar por uma coisa honesta e bacana, então acho que essa é a função do rap. E como eu já andei na rua e conheço a malandragem também, como eu tenho esse lado, o jovem do povo se identifica com essa linguagem com o estilo, entende? Então a mensagem acaba entrando e essa é a função do rap na essência, conseguir transformar os caras, mesmo, e talvez principalmente os caras que estão com arma na mão, fazendo parte de facções criminosas. Que eu consiga despertar uma luz que existe dentro deles, porque eu coloco minha luz sempre. A busca do compositor é trazer essa luz, nas composições, é gerar um sentimento.

Eu acho que é importante o rap estar nesses lugares. Porque a galera do pagode já faz show na favela há muitos anos. A novidade agora é o rap carioca entrar nas favelas de fato, é o primeiro rap do Rio a chegar de fato nas favelas. Então se eu sou dos [MCs] cariocas o que mais é reverenciado pelas comunidades, tenho orgulho disso. A Tudubom tem orgulho disso, a minha banca toda se orgulha disso. E se a contratação do nosso show foi feita dentro da lei eu não posso interferir na venda de drogas que acontece na região. Seria mais ou menos como acabar com o Rock in Rio porque lá dentro vão vender droga, e o Rock in Rio é um evento que tem que acontecer. Então o evento ali era dentro da lei, tudo certo e isso acabou acontecendo. Quem faz show em comunidades sabe como funciona. É uma hipocrisia a gente achar que isso não existe no Rio de Janeiro. O governo tem que entender que eu estou fazendo a minha parte e eles tem que fazer a deles sacou? Eu estou trabalhando e considerando todo o povo como sociedade. Se eles não consideram tudo como sociedade, é por isso que a gente está na merda. Estou fazendo a minha parte, e ser criticado por fazer a minha parte é errar duas vezes, sacou? Então eu acho que eles tem é que focar, entender o poder desses poderes paralelos aí, entendê-los como sociedade, para conseguir trazê-los de volta, educá-los, porque o povo do Rio de Janeiro precisa é de educação — quanto mais informação você leva pra eles, melhor, quanto mais luz, arte, cultura, rap, melhor.

O governo tem que aprender a dialogar e compreender essas comunidades todas, que são carentes de tudo, e ter mais carinho, entender como um lugar de gente importante, que tem muita gente positiva lá dentro fazendo projetos muito bacanas, sacou? E sim, também tem tráfico de drogas e é preciso ver de forma inteligente e por dentro conseguir positivar essas comunidades, colocar pra fora o potencial dessas pessoas que moram lá. Enquanto houver segregação e descriminação, essas diferenças só vão aumentar ainda mais, e eu acredito nessa horizontalidade, sacou? E como disse na nota, eu acredito que a policia é tão povo quanto eu. Tenho muitos policiais que são meus fãs, respeito muito o trabalho deles e eu sei que é cruel também querer ser policial no Rio de Janeiro, com tantas mortes de muitos policiais que tem a honestidade e o bom coração no seu trabalho. Entendo que eles são vitimas também, então eu acho que vem de cima… Na real, vem de dentro. É hora de rever a questão das drogas, da descriminalização das drogas… O debate é muito amplo e saiu do controle no Rio de Janeiro ,que é uma cidade relevante num país relevante.

Se eu estou sendo a voz dessa comunidade que bom, continuarei representando, fazendo minha arte, mostrando minha luz, suando nos palcos, dando o meu melhor em cada show, porque todo mundo merece arte e ouvir rap, principalmente a molecada.

Confira a entrevista completa clicando aqui

 

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