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Tudo o que sabemos sobre o julgamento do assassinato de Tupac Shakur e a acusação contra Keefe D

Quase três décadas após a morte do rapper, júri em Las Vegas se prepara para ouvir as declarações iniciais no processo contra ex-membro dos Crips.
Tudo o que sabemos sobre o julgamento do assassinato de Tupac Shakur e a acusação contra Keefe D
FOTO: JOHN LOCHER/AFP

Entenda os detalhes das acusações, provas e desdobramentos do processo histórico sobre a morte de Tupac

Com a escolha do júri finalizada nesta semana em Las Vegas, o julgamento de Duane “Keefe D” Davis entra em sua fase decisiva quase 30 anos após o assassinato de Tupac Shakur. As declarações iniciais estão marcadas para a próxima segunda-feira, dando início a um processo judicial que pode definir a responsabilidade legal pela morte do ícone do hip-hop em 1996.

Keefe D foi preso em setembro de 2023 e responde por homicídio com uso de arma letal. A promotoria acusa o ex-membro da gangue South Side Compton Crips de ter ajudado a organizar o ataque motivado por vingança e fornecido a arma usada no crime, embora ele não seja acusado de ter disparado os tiros.

Pelas leis do estado de Nevada, uma pessoa pode ser responsabilizada criminalmente por assassinato se planejar ou auxiliar ativamente no crime, mesmo sem ter puxado o gatilho. Para conseguir a condenação, os promotores precisam provar além de qualquer dúvida razoável que Davis participou conscientemente da emboscada.

A origem do conflito e as três décadas sem resposta.

O crime aconteceu na noite de 7 de setembro de 1996, após uma luta de Mike Tyson no cassino MGM Grand, em Las Vegas. Tupac e a comitiva da Death Row Records se envolveram em uma briga com Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Keefe D, no saguão do local.

Horas mais tarde, enquanto Tupac e o cofundador da gravadora, Marion “Suge” Knight, dirigiam pela cidade, um Cadillac branco emparelhou com o veículo. Tiros foram disparados de dentro do carro, atingindo o rapper várias vezes. O rapper foi levado ao hospital e morreu seis dias depois, em 13 de setembro, aos 25 anos. Knight também ficou ferido, mas sobreviveu.

Apontado durante anos como o principal suspeito de disparar os tiros, Orlando Anderson sempre negou envolvimento no assassinato e acabou morto em um tiroteio em Compton, em maio de 1998, aos 23 anos, sem nunca ter sido indiciado pelo caso.

Capa Keefe D
FOTO: REPRODUÇÃO

As próprias declarações de Keefe D como prova principal.

O longo tempo para que o caso chegasse ao tribunal se deve, em parte, à falta de acusações formais durante anos. Contudo, o próprio Keefe D passou a dar várias entrevistas detalhadas e lançou em 2019 o livro de memórias “Compton Street Legend”, onde descreveu os bastidores daquela noite e a dinâmica dentro do Cadillac.

Essas declarações públicas viraram a base do caso da promotoria. Além do livro e de entrevistas concedidas ao longo dos anos, os promotores também obtiveram autorização da justiça para utilizar um depoimento dado por Davis à polícia em 2008 e itens apreendidos em uma busca realizada na casa do réu em julho de 2023.

A defesa tentou contestar a inclusão dessas evidências, alegando que os relatos do réu continham exageros para fins comerciais e histórias dramatizadas. No entanto, decisões judiciais confirmaram que o livro, as entrevistas e as declarações policiais poderão ser apresentados aos jurados durante o julgamento.

Testemunhas de peso e teorias fora do tribunal.

Entre os nomes presentes na lista de possíveis testemunhas está Suge Knight, que cumpre pena de 28 anos de prisão por um atropelamento ocorrido em 2015. Por ter testemunhado a emboscada no carro ao lado de Tupac, Knight é visto como peça importante, embora já tenha sinalizado publicamente que não tem interesse em colaborar com promotores ou advogados.

O nome de Sean “Diddy” Combs e as teorias sobre a rivalidade entre East Coast e West Coast também costumam cercar o caso, mas a promotoria não apresentou evidências concretas que vinculem o fundador da Bad Boy Records ao processo criminal, que permanece focado exclusivamente na responsabilidade de Davis.

Dias antes do julgamento confessar, Keef D afirmou que sabe quem foi responsável e voltou a acusar Reggie Wright Jr., antigo chefe de segurança da Death Row. “Ele mentiu para os investigadores, ameaçou minah família e foi quem colocou meu nome nessa história desde o começo”. Disse. A alegação faz parte de uma teoria alternativa já apresentada pela defesa, mas sem apresentar evidências.

O que está em jogo no veredito.

Formado por seis homens e dez mulheres, o júri acompanhará um julgamento previsto para durar entre quatro e cinco semanas em Las Vegas. Se for condenado por homicídio, Keefe D poderá cumprir prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.

Ainda que resulte em condenação, o processo responderá a um recorte específico da tragédia: a culpabilidade direta de Keefe D no planejamento do ataque. Uma absolvição, por outro lado, deixaria sem resposta jurídica um dos maiores mistérios da história do rap mundial, sem apontar oficialmente quem foi o responsável pela morte de Tupac.

Fellipe Santos
Sobre o autor

Publicitário, comunicador e criador do Rap Mais. Apaixonado por Hip Hop. Desde 2017, conecto estratégias de comunicação para registrar o Hip Hop nacional e internacional.

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