Karol Conká lança clipe emocionante em homenagem à Sabota

Escrito por Fellipe Santos 06/04/2018 às 10:48

Foto: Divulgação
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Na manhã do dia 24 de janeiro de 2003, uma das maiores vozes do rap nacional era calada. Mauro Mateus dos Santos, o Sabotage, foi assassinado com quatro tiros perto de casa no bairro da Saúde, Zona Sul de São Paulo. Neste dia, o rapper iria cantar no Rio Grande do Sul.

O “maestro do Canão” – referência à favela em que morava – entrou para a história como músico e ator. Ele surgiu na cena como um dos principais nomes a alavancar o estilo musical no Brasil.  Considerado uma lenda no Hip Hop, Sabotage começou a carreira em 1988, quando se inscreveu em concursos de rap. Num deles, no salão Zimbabwe, conheceu Mano Brown e Ice Blue, ambos do Racionais MC’s, que se impressionaram com a performance de palco dele. Mas foi com o grupo RZO (Rapaziada Zona Oeste) que Sabotage viu seu trabalho repercutir no rap nacional.

Na sequência, gravou o primeiro e único disco solo, intitulado “Rap é Compromisso”, gravado pelo selo Cosa Nostra, o mesmo que lançou todos os discos dos Racionais MC’s.

Na última terça (3), Sabotage completaria 45 anos se estivesse vivo. Seu legado pulsa não apenas no hip hop, como também na cinefilia. O rapper chegou a participar de Carandiru, de Hector Babenco, além de compôr a música tema do filme O Invasor, de Beto Brant, que ganhou prêmio de melhor direção no festival de Brasília.

O maestro do Canão inspira inúmeros artistas por esse Brasil a fora. Karol Conká é uma dessas que foram atingidas pela rima e pela sabedoria de Mauro. Ela preparou uma homenagem para ele e lançamento estava planejado para ser nesta sexta (6). No entanto, no fim de tarde da última quarta (04), ela decidiu adiantar e lançou o clipe da música Cabeça de Nêgo. A faixa é uma versão da original, gravada pelo lendário Sabotage em parceria com Instituto.

Karol entrou em contato com Rica Amabis e Tejo Damasceno, do Insitituto, que produziram e compuseram a música com Sabotage, lançada no álbum Coleção Nacional.  O produtor e DJ Boss in Drama, que assina a produção de vários sons da Karol e também do próximo álbum, também foi chamado para participar da produção da música.  A nova versão de Cabeça de Nêgo foi gravado no estúdio do Instituto em São Paulo. Já o clipe, foi gravado na favela do Boqueirão, na zona sul de São Paulo e foi dirigido por Johnny Araújo e co-direção de Leandro Lima, trazendo uma releitura do universo do maestro do Caanão, com produção da Gullane Entretenimento.

E a homenagem também vem pela estética. Para a capa do single, a rapper reproduziu a foto mais famosa de Sabotage. A imagem emocionou diversos internautas e foi muito repercutida nas redes sociais.

Logo no início do clipe, ela conversa com Hadji – hoje seu DJ – que tocou por anos com Sabotage. Na sequência, ela visita a favela do Boqueirão, na zona sul de São Paulo, onde conversa com amigos e familiares de Mauro Mateus dos Santos.

O clipe é extremamente humano e verdadeiro e conta com a presença dos filhos do Sabotage, Sabota Jr. e Tamires, da neta Alice e do amigo de infância, Bola. Segundo Johnny Araújo, todos os envolvidos nesse trabalho estavam ali por amor e respeito a tudo que essa história representa.

Questionada sobre o peso político de uma regravação da música de Sabotage em 2018, Karol afirmou que seu papel neste momento “é mostrar força pra quem pensa em sucumbir”. Colocando em perspectiva o assassinato da vereadora Marielle Franco, ela continuou:

“As mensagens que recebo diariamente são muito tristes. Depois da morte da Marielle Franco muita gente está sem esperança. Conversei com a MC Carol, que foi candidata à vereadora e ela estava muito em choque, até fez uma música sobre isso. A gente se perguntou o que podia fazer. Chorar só escondido. Não dá para ficar mostrando abalo, não é isso que a Marielle queria. É força, luta. É uma perda muito grande, a dor é imensa, fico arrasada, mas a gente tem milhares de pessoas que nos usam como referência. Não somos protagonistas à toa. Agora é a hora da gente juntar mais força ainda, focar realmente na solução. So-lu-ção. Mas como fazer isso? Mantendo contato com pessoas que têm essa mesma disposição, que estão quase sucumbindo. Como artista, também fico numa posição de risco, por ser porta-voz. A morte de Marielle foi tipo um aviso, foi um cala-boca para todo mundo, “parem de encher o nosso saco”. Nunca me envolvi com política, não falo sobre isso, mas as pessoas sabem qual é a minha posição, está escancarado na minha cara.”

E a gente assina embaixo. Como ela mesma diz, “ouça esse som bem alto e se emocione”. Confira:

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