LR Beats entrevista Nauak ‘Trevas’ no 1° EP da coluna “Entrevistando Beatmakers”

Hoje começamos a coluna “Entrevistando Beatmakers” com o produtor LR Beats , um dos destaques do cenário nacional que vem desenvolvendo cada vez mais projetos sólidos e conquistando o espaço que merece, ele tem apenas 20 anos e produz desde 2012, já produziu para artistas como Cacife Clandestino, 3030, Start Rap, Valente, Edi Rock, Reverie, Tubaína, Atentado Napalm, Delatorvi, Costa Gold, Terra Preta, Daniel Shadow e outros.

 

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No 1° episódio da coluna, LR Beats entrevista o produtor Kauan, mais conhecido como Nauak “Trevas”, um beatmaker e produtor musical de São Paulo, atualmente com 24 anos.

Conhecido por seus beats em uma pegada mais experimental e dark, Nauak faz parte do coletivo Recayd, no qual atua na função de Produtor Musical e também faz parte da produtora Artefato Produções.

Nauak nos contou como surgiu seu interesse por música, trabalhos recentes, valorização do beatmaker no cenário nacional, e muito mais…
Confira a entrevista logo abaixo.

LR BEATS ENTREVISTA NAUAK “TREVAS”

LR Beats: Nauak, obrigado por aceitar o convite da nossa entrevista e também quero te parabenizar pelos trabalhos sólidos e por agregar tanto na cena do rap nacional como na cena de produtores e beatmakers. Conta pra gente como foi seu início na música, como começou a trabalhar com rap e também como surgiu o nome “Trevas”.

Nauak: Obrigado, eu que agradeço pelo convite e pelos elogios .
Então sobre a parte da musica posso dizer que dei o primeiro passo por volta dos meus 15 anos, eu gostava de tocar guitarra e violão, acabei formando uma banda com amigos e colegas, eu levava muito a sério mas eu não sentia o mesmo retorno sabe? perdia ensaio porque os integrantes estavam com algum problema de relacionamento ou queriam assistir algum jogo de futebol, era meio frustante. Acabei largando a ideia de banda e como eu sempre fui muito ligado ao Hip Hop por influencia dentro de casa já com minha mãe ouvindo ou tios ao meu redor, percebi que era possível criar um instrumental (beats) sozinho, eu achava ótimo, alem de ser uma forma de me expressar , eu não dependia de ninguém, era só eu e a minha criatividade. Comecei a fazer beat um atrás do outro quando eu não tinha nem ideia de onde eu iria parar, também mexia com design gráfico e gostava de fazer fotos, aos poucos, fui indo em festas/eventos e as pessoas comentavam de boca a boca “ele faz uns beats” e assim foi indo . Sobre o Trevas acho interessante você perguntar haha, mudei muito com o tempo, não sei dizer se foi o Dj Luketa ou o Klyn que me deu esse apelido , mas eu tinha hábitos mais estranhos, eu vivia no escuro, só assistia documentários e filmes que eles consideravam bizarros na época, dificilmente você conseguiria me encontrar pelo dia também, eu tinha todos os meus hábitos muito noturnos , o lance do Trevas acabou sando dai, eu produzia os beats de uma forma mais triste também e pra uma vertente mais Dark, acabei mudando muita coisa com o tempo mas o apelido pegou forte , é bom pra lembrar origens e como tudo começou .

 

LR Beats: Lembro que a primeira produção que escutei sua foi “Iligrum” do Dfideliz com participação do Baco Exu do Blues e ali pude notar que você tem um estilo de produção mais experimental, totalmente na contra mão do padrão do trap atual, quais são suas referências e como funciona seu processo de produção?

Nauak: Essa produção eu gosto muito porque tem um fato interessante nesse beat, foi um instrumental que eu simplesmente sonhei, acordei super cedo, peguei o notebook e comecei a fazer, quando terminei, fui correndo pra ir comer tomar banho etc, eu não queria largar o notebook por nada antes de terminar o beat.
Existem dois tipos de dia pra mim, os dias que acordo pra produzir, de uma forma mais técnica, e dias que eu acho que me deixo levar pela arte mesmo, não me cobro regras ao produzir, mas tenho o costume de fazer as melodias primeiro, as vezes gosto tanto que acabo escutando por horas, sozinho mesmo haha, sobre o beat da Iligrum… Eu já queria mostrar o beat pra alguém que eu estivesse trabalhando junto e fiquei supreso pelo Dfideliz ter gostado tanto, na época ele não era tao envolvido com Trap, eu procurava produzir beats pra ele que fugisse da vertente, então achei interessante o quanto ele gostou do beat.
A história do Baco foi algo não muito planejado, ele estava aqui em São Paulo pela primeira vez para o show junto com a Recayd, me falaram que o Dfideliz mostrou a guia pra ele, logo em seguida ele ja foi gravando no 213. Quando conheci o Baco achei ele muito interessante, vi ele gravando umas guias, troquei umas ideias, gostei muito da sonoridade dele e a forma do processo criativo, nesse mesmo dia ele chamou o Coruja BC1, ver os dois criando algo junto foi algo rico demais de se ver .

 

LR Beats: Você faz parte do coletivo “Recayd” onde conta com diversos artistas em ascensão como MC Igu, Derek, Jé Santiago, entre outros… e também da produtora “Artefato Produções”, que além de contar com grandes artistas do rap nacional como Nego E e Helibrown, também conta com uma equipe executiva de produtores, beatmakers, designers e produtores de vídeo… conta pra gente como isso agrega no seu trabalho e como aconteceu essa transição de ambientes, visto que a Artefato hoje é uma das produtoras com mais estrutura na cena atual.

Nauak: Então isso é bem foda, a Recayd foi uma criação acidental de um rolê que eu estava andando com o Derek e o Rudi até vermos um cara na rua e gerar a piada toda haha, o Spike, um dos produtores eu já conhecia fazia um tempo, primeira vez que nos encontramos foi na roosevelt, ele me mostrou uns beats e com os tempos as coisas foram indo, ele andava produzindo o Derek, já eu em casa, estava produzindo o Klyn , Fideliz e o Jé, nem sempre eu produzia os beats por falta de tempo, às vezes ficava mais na mix, muito tempo quem estava mais cuidando dos beats era o produtor e meu amigo Triick, nisso me sobrava tempo pra estudar mixagem/master.
Nesse meio tempo, o Nego E fez um convite pro Jé conhecer a Artefato, fui com ele e o Triick, nesse tempo, o Nego E estava produzindo o seu album Oceano e pra mim aquilo foi incrível, porque além de eu ver um o processo de uma forma profissional, eu percebi o quanto me faltava como produtor, o quanto de conhecimento que eu poderia obter, me incentivou a estudar mais e me trouxe mais duvidas também, foi algo bem interessante hahaha, com o passar do tempo entrei no time da ATF que me proporcionou a ver toda a cena não só de RAP, mas ver a indústria da música de uma forma diferente, mais direta e mais possível também. Consegui fazer trabalhos com o projeto City Hustlers junto a Nike e isso foi muito foda, me envolvi mais presente perto de mesas de som em shows, um passo que eu sempre quis também.

 

LR Beats: Sabemos que você já trabalhou com artistas de grande expressão na cena do rap nacional, mas se você pudesse escolher 3 artistas pra produzir hoje, quais seriam e por quê?

Nauak: Assim , agora de cabeça, eu gosto muito já das pessoas ao meu redor, tenho muito amigo e conhecido talentoso e não tive tempo de trabalhar com calma com todos. Posso dizer que eu tenho mais ansiedade de trabalhar com beatmakers agora do que próprios mc por causa do workflow e os conhecimentos que são trocados, mas agora a vontade é muito de juntar o Nego E e o Klyn em uma track, não só em uma, eu queria muito ver até onde os dois iriam chegar juntos, o Mc Igu também é um que eu sempre gosto de fazer musica junto, ultimamente pela amizade, quando a gente acaba se encontrando, a gente acaba mais conversando da vida, saindo por ai e deixo ele de folga de fazer som um pouco haha , mas combinamos que na proxima vez que nós nos vermos, vamos terminar os projetos que temos juntos.

LR Beats: Você produziu o som “Vivência” que saiu no disco de estréia do grupo Rimas e Melodias, Conta pra gente como foi o processo de criação desse som, e qual foi a sensação de escutar esse trabalho finalizado?

Nauak: Foi uma marca pra mim foda demais, o convite veio direto da Karol de Souza, do qual eu já tinha trabalhado antes, a Alt Niss, todo mundo só sabia comentar bem sobre o trabalho dela. As duas me colocaram em um grupo no whats junto com o Dia. Me deram a total liberdade sobre o beat, lembro que eu cheguei a mandar 3 instrumentais e por incrível que pareça, elas escolheram o que eu achei que elas iriam menos gostar, eu fiquei até inseguro sobre o beat, gostei mais quando eu vi elas gravando e a proposta que elas tiveram dentro da musica, achei sensacional. Acompanhei o processo todo do Rimas e Melodias dentro do estúdio da Redbull, a energia que rolava ali dentro não tem igual, em questão de organização achei super incrível também, fiquei super fã de cada uma e cada conversa que eu tive sobre a vida ou sobre musica dentro daquele lugar, é algo que eu posso ter certeza que vou carregar sempre, ver o trampo que elas deram e o resultado final de tudo isso me deixa super bem .

LR Beats: Hoje você é um grande nome entre os beatmakers, e infelizmente nossa cena passa por um momento no qual essa profissão vem sendo muito desvalorizada, você já passou por alguma situação assim? e também gostaria de saber sua visão sobre isso.

Nauak: Sempre tenho que saber me portar, desde sites que não colocam créditos no instrumental entre outras coisas também, felizmente eu vejo a cena toda de uma forma muito ampla, conheci muita gente pra tirar dúvidas também, me preocupo mais com quem esta começando. Vejo muita gente passando a perna uma na outra, isso pode desanimar o trabalho sério de alguém, não só o beatmaker, mas todo artista precisa ver o seu trabalho como um trabalho, e isso é um processo delicado dentro da arte, é um processo de auto afirmação. Mas é comum você ver mc´s procurando gastar o menos possível e se possível, não gastar .
Um MC cobrar cachê pelo seu trabalho em um show , mas na hora de procurar trabalhar com beatmakers, querer fazer parceria que não envolve lucro nenhum, apenas uma falsa “publicidade”. Conheço muita gente próxima que fez inúmeras produções e não foi recompensada por isso, é um tanto triste.

LR Beats: No começo da sua carreira como beatmaker/produtor, qual foi a maior dificuldade e o que conseguiu tirar como aprendizado?

Nauak: Acho que foi de entender como as coisas funcionam, de não ver as coisas como um bicho de 7 cabeças, eu acabava me distraindo muito no que acontecia fora do país e não tirava proveito do que estava ao meu redor, vejo muita gente nisso ainda. “fiz uma musica, deu tantos views e agora ?”. Acho que você tem que entender qual o seu público, onde você quer chegar e o que você pode colher de tudo que está acontecendo no presente .

 

LR Beats: Hoje na gringa, produtores trabalham em parceria com diversos artistas, posso citar como exemplo o trabalho colaborativo entre Metro Boomin e Big Sean, o Disco colaborativo entre Dom Kennedy e Hit-Boy, além disso, os produtores tem status de estrela, o que é muito diferente da cena nacional, que na visão de muitos, o máximo que o beatmaker pode atingir é produzir um som de algum artista em evidência e ter creditado o nome dele no título como (Prod. Nome do Beatmaker), eu gostaria de saber sua opinião sobre isso, o que acha que deve mudar pro beatmaker ser visto também como um artista?

Nauak: Acho isso interessante, vai do beatmaker esse papel dele também de se impor assim, ter ogulho do seu nome, do que ele faz, acho importante todos trabalharem com a sua imagem também, que seja de colar em eventos, conhecer pessoas novas, é uma área muito ampla quando você pensa não só como beat, mas como musica em si, como trilha e etc…
Entendo que ficamos muito tempo atrás de uma tela de computador também, às vezes não temos tempo pra muita coisa, mas a internet hoje te dá uma oportunidade absurda sem você se mexer .

Acho que produtores podem formar laços muito legais com outros produtores também, com MCs , fotógrafos, somos todos artistas, não vivemos um país no qual essa área é facilitada para a gente, então a gente tem que se unir mais e fazer essa parte toda da indústria crescer. Acho que muita gente fora da área tem muita curiosidade de ver como o beatmaker trabalha, o que ele faz e como faz, de que ele cria tudo aquilo sozinho do 0. Muita gente no começo me perguntava se o que eu fazia era com uma banda, e quem tocava todos os timbres , eu expliquei o processo do beat e eles começaram a amar oque eu fazia e até se interessar mais pelo hip hop.

LR Beats: Encerrando nossa entrevista, quais são suas metas pra 2018 e o que vem por aí?

Nauak: Esse ano eu tenho uns objetivos mais concretos porque deixei os outros como algo mais experimental, até pra conhecer minhas maiores dificuldades, esse ano eu estou querendo trabalhar com pessoas que eu já tenho ao meu redor faz um tempo, de uma fora mais profissional e outras que já estou de olho mas não cheguei a ter uma conversa formal sobre ainda, mas é certeza um ano de muita musica.

LR Beats: Obrigado pela entrevista, Nauak. Alguma consideração final?

Nauak: Eu que agradeço, acho legal a proposta das entrevistas com beatmakers, cada um que eu converso tem uma história mais maluca que o outro pra contar e curiosidades.
Atualmente eu to vendo muito o lance do “faça por você mesmo ” e isso é dahora demais, ver amigos subindo em um palco ou dentro de um estúdio, isso é sonho de muita gente e é sonho grande mesmo!

Eu penso grande em muita coisa, mas tenho que admitir que eu já fiz muita coisa que eu não imaginaria que eu faria tao cedo (24 anos de idade), coisas que eu via na tv antigamente em clipes eu vejo ao meu redor, respeito muito a caminhada de cada um, as pessoas acham que é de um dia pro outro que as coisas acontecem, mas não é . Espero que essa parte no Portal do Rap + seja uma porta muito foda pros beatmakers, ja estou ansioso pra ler a entrevista de cada um e os networks a seguir!

Agradeço aos meus amigos da Artefato Produções, Recayd, e o grupo de beatmakers que estou dentro já pelas coisas que vão vir esse ano!

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