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Mauro Cid irá confessar que Bolsonaro mandou vender joias e recebeu dinheiro vivo, diz advogado

Renan
Por

Defesa revela que Tenente irá dizer que vendeu as joias a mando de Bolsonaro.

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Em um desenvolvimento surpreendente no escândalo envolvendo as joias oferecidas como presentes pela Arábia Saudita ao governo brasileiro, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), decidiu confessar sua participação na venda dessas joias a mando do ex-presidente.

A revelação veio à tona por meio de uma reportagem da Revista Veja e foi posteriormente confirmada pela CNN, com o testemunho do advogado de Mauro Cid, Cezar Bitencourt. A confissão de Cid alega que Bolsonaro teria ordenado a venda das joias e relógios, e que ele, como militar disciplinado, apenas seguiu as ordens de seu superior.

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O advogado Bitencourt ressaltou que Mauro Cid é inocente e que a responsabilidade recai sobre Bolsonaro, visto que foi ele quem deu a ordem para a venda das joias. Segundo a defesa, Bolsonaro teria dito a Cid para “resolver lá” a venda dos objetos, e o dinheiro proveniente da comercialização teria sido repassado em espécie ao ex-presidente, a fim de não deixar rastros.

O caso tomou proporções ainda maiores quando foi revelado que Mauro Cid levou os objetos de alto valor para os Estados Unidos, onde tentou vendê-los. Ele teria transportado os itens no mesmo avião presidencial em que Jair Bolsonaro viajou para Orlando, no final de 2022.

A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação, que trouxe à tona mensagens, fotos e documentos que sugerem a venda ilegal dos presentes. A suspeita é que parte dos valores da venda tenha sido depositada na conta do pai de Mauro Cid, totalizando cerca de R$ 68 mil. A investigação levanta a possibilidade de crimes como peculato e lavagem de dinheiro.

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A reação de Bolsonaro não demorou a chegar. O ex-presidente negou veementemente as acusações, declarando que nunca aceitou dinheiro de terceiros e reiterando sua postura de honestidade. Ele lamentou o ocorrido com seu ex-ajudante de ordens e sugeriu que o depoimento de Cid pode estar relacionado ao estado emocional do mesmo, que já está preso há mais de 100 dias.

O caso também levanta questões sobre a legalidade e ética do tratamento de presentes recebidos por autoridades estrangeiras. A PF destacou que durante a gestão de Bolsonaro, o Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (GADH) foi utilizado para “legalizar” a incorporação de bens valiosos ao acervo privado do ex-presidente, em desrespeito às normas que regem a administração pública.

Cezar Bitencourt, o advogado de Mauro Cid, indicou que a confissão voluntária de seu cliente pode atenuar a pena imposta, caso ele seja considerado culpado. A situação permanece fluida, e os desdobramentos do caso podem ter impactos significativos na imagem de Bolsonaro e nas investigações sobre o escândalo das joias.