Uma multidão ocupou a Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro, no último sábado (19), para acompanhar o concerto gratuito do Projeto Aquarius que reuniu Emicida, Leci Brandão e a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). O público se espalhou pelos arredores do Museu do Amanhã e do Museu de Arte do Rio para assistir ao encontro entre rap, samba e música clássica ao ar livre.
Sob a regência do maestro Carlos Prazeres, a OSB abriu a tarde com obras eruditas de compositores como Carlos Gomes, Villa-Lobos e Tchaikovsky antes de receber os convidados no palco. A reunião consolidou a proposta histórica do projeto, criado na década de 1970 para levar a música sinfônica para fora das salas tradicionais de concerto.
Aos 82 anos, Leci Brandão cantou pela primeira vez na carreira acompanhada por uma orquestra sinfônica. A sambista apresentou faixas como “Só Quero Te Namorar”, “O Morro Não Tem Vez”, “Encontros e Despedidas” e “Isso É Fundo de Quintal”, sendo ovacionada pelo público entre cada execução.
“Vou ter que quebrar o protocolo porque é a primeira vez que canto com uma orquestra. Fiz 82 anos agora. Que maravilha”, celebrou Leci no palco. “É muito legal poder vir à Praça Mauá e ver o povo todo reunido aqui, num projeto que faz da nossa cultura um encontro maravilhoso.”
Na sequência, Emicida subiu ao tablado para apresentar versões orquestradas de faixas marcantes de sua trajetória, incluindo “Passarinhos”, “Pequenas Alegrias da Vida Adulta”, “Quem Tem um Amigo Tem Tudo” e “AmarElo“. O rapper paulistano celebrou os cerca de 70 músicos da orquestra e destacou o papel de integração da arte: “Que experiência incrível. Isso é a alma de um país. Que tarde abençoada. As distâncias que esse país produziu se dissipam por meio da cultura”.
O encerramento colocou Leci e Emicida juntos no microfone para cantar o clássico “Zé do Caroço“, composição emblemática da sambista que foi entoada em coro pelas milhares de pessoas reunidas na praça.
