Moïse Mugenyi Kabagambe havia saído do Congo justamente por causa da violência
O congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, que foi espancado até a morte ao cobrar uma dívida de trabalho em um quiosque na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, sofreu traumatismo do tórax e contusão pulmonar, e teria agonizado por 10 minutos antes de morrer, segundo o perito Nelson Massini. Em entrevista ao jornal Extra!, o profissional fez uma análise do caso com o que foi registrado pela câmera de segurança do quiosque Tropicália:
“O laudo e o vídeo demonstram que trata-se de uma vítima fatal de espancamento, com vários hematomas pelo corpo, e com uma repercussão grave das agressões no pulmão, o que causou uma hemorragia. Nesses casos, a aspiração do sangue leva a dificuldade respiratória, como em uma asfixia, e a morte não se dá de maneira imediata. Estima-se em dez minutos o tempo de sofrimento respiratório que o fez agonizar antes de morrer”, fala o perito.

De acordo com o laudo de exame de necropsia feito em Moïse no Instituto Médico-Legal (IML), ao qual O GLOBO teve acesso, o estrangeiro apresentava equimoses no tronco e nos braços, além de escoriações pelo corpo. O documento é assinado pelo perito legista Claudio Amorim Simões e consta no inquérito da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), responsável pelas investigações.
A Polícia Civil do Rio está investigando o caso. Enquanto a mecânica do crime não ficar clara, é perigoso imputar racismo ou xenofobia, embora essas chagas estivessem presentes na vida do rapaz. Nos últimos dias, a polícia tomou depoimentos, recolheu imagens de câmeras de segurança e fez pelo menos três prisões temporárias.






