No Podpah, Milo J lembra infância na periferia e revela que aprendeu a produzir por falta de dinheiro

Criado em Morón, rapper argentino explicou como a falta de recursos moldou seus primeiros passos na música e relembrou a influência de sua irmã nas batalhas de rima.

Por
Fellipe Santos
Publicitário, comunicador e criador do Rap Mais. Apaixonado por Hip Hop. Desde 2017, conecto estratégias de comunicação para registrar o Hip Hop nacional e internacional.

Em entrevista ao Podpah, comandado por Igão e Mítico, o rapper argentino Milo J relembrou o começo de sua trajetória e explicou que a falta de recursos financeiros determinou sua decisão de aprender a produzir as próprias faixas.

O artista começou a gravar aos 14 anos e assumiu a função técnica pela impossibilidade de contratar terceiros.

“Eu era o meu próprio produtor. Eu produzo também. Mas também porque eu não tinha outra pessoa para conseguir fazer. Não conseguia pagar ninguém para fazer isso para mim”, contou o jovem durante a conversa;

Criado no bairro San José, no município de Morón, na Grande Buenos Aires, Milo detalhou como a violência ao redor e as limitações em casa faziam parte de sua rotina.

Com a mãe trabalhando em dois empregos para sustentar a família, ele passava os dias nas ruas com amigos, sem dimensão imediata de algumas situações de risco.

“Era um pouquinho perigoso, aconteciam muitas coisas em volta de mim. Quando eu era muito novo, às vezes você não percebe as coisas. Só depois que cresce, lembra e entende: ‘Opa, pera aí, a pessoa foi baleada, isso era grave’”, relatou o cantor.

O contato com o rap surgiu por influência direta de sua irmã mais velha, que participava de batalhas de rima. Milo descreveu a convivência com ela como a principal faísca para seu interesse pela escrita e pelas rimas improvisadas.

“É minha referência número um na vida, minha melhor amiga. Eu ficava olhando ela fazendo e, no meu tempo livre, ficava imitando, fazendo a mesma coisa. Não é como se eu sentasse e ela me ensinasse: ‘Você tem que fazer assim o rap’. Não. Eu ficava imitando, copiando, escutando as músicas que ela escutava”, afirmou.

A resposta do público aos 15 anos exigiu uma rápida transição para a rotina profissional. A visibilidade internacional disparou em 2023 com o lançamento de sua sessão com o produtor Bizarrap e o projeto conjunto En Dormir Sin Madrid.

Logo depois da repercussão com Bizarrap, Milo apostou em uma estética mais melódica e acústica em 111, seu primeiro disco solo, enfrentando cobranças de ouvintes que queriam faixas tradicionais de rap.

No trabalho seguinte, o álbum 166, ele homenageou a linha de ônibus que pegava na periferia para ir ao centro de Buenos Aires em busca de oportunidades.

“166 era o número da linha de ônibus que eu pegava de onde eu moro para a capital, Buenos Aires, que era onde tudo acontece, a indústria da música”, explicou o argentino.

A trajetória seguiu com o lançamento do álbum La Vida Era Más Corta, que reuniu participações de veteranos da música latina, como Silvio Rodríguez e Mercedes Sosa, além do compatriota Trueno.

O projeto rendeu sete indicações ao Latin Grammy, consolidando uma rápida ascensão para quem começou gravando sozinho no quarto.

Confira a conversa completa de Milo J no Podpah.

MARCADO:
Publicitário, comunicador e criador do Rap Mais. Apaixonado por Hip Hop. Desde 2017, conecto estratégias de comunicação para registrar o Hip Hop nacional e internacional.
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