O rapper paulistano supera Anitta e alcança a melhor estreia da história do Spotify Brasil, levando o trap brasileiro a novas dimensões.
Veigh, um trapper paulistano de 22 anos, teve a maior estreia de um álbum brasileiro no Spotify, superando Anitta. Seu álbum “Dos Prédios Deluxe” foi lançado em 19 de maio e teve mais de 6,5 milhões de streams em seu primeiro dia na plataforma. O projeto, que é uma continuação da edição original lançada em novembro do ano passado, também teve a melhor estreia global na plataforma, superando artistas internacionais.
O início da carreira de Veigh remonta a 2016, quando ele e Heitor produziram suas primeiras faixas e formaram o duo Constelação. Os moradores dos prédios da Cohab 1 de Itapevi, em São Paulo, foram os primeiros ouvintes de Veigh. Desde então, o rapper tem acumulado sucesso e atualmente conta com 7 milhões de ouvintes mensais no Spotify.

Com influências da música global dos anos 2000, Veigh se destaca por sua personalidade carismática, atenção aos fãs e uma abordagem divertida, utilizando samples inusitados, versos descontraídos e elementos do soul. Ele também apresenta vertentes não convencionais no trap brasileiro, como o Jersey Club.
Com o sucesso do novo projeto, Veigh viu seus cachês de shows praticamente dobrarem e tem planos de colaborações internacionais, levando o trap brasileiro a novos patamares. Em uma entrevista ao POPline, o rapper enfatizou o senso de comunidade que carrega consigo e expressou sua disposição em contribuir para o crescimento de outros artistas. No entanto, agora é o momento dele brilhar.
Confira a entrevista abaixo:
POPline: Acho que uma pergunta óbvia, mas que eu preciso fazer: Você estava esperando essa repercussão toda em relação a edição deluxe do álbum “Dos Prédios”, a ponto de quebrar um recorde da Anitta?
Veigh: Certo. Ah, eu não esperava. Esperava coisas grandes, mas, realmente, foi algo muito novo que aconteceu, que eu ainda estou tentando acreditar que é realidade, tá ligado? Porque é um marco histórico o que ocorreu, o álbum com a maior estreia que teve. Eu ainda estou tentando entender o que é de verdade e o que não. A minha mente continua um pouco anestesiada.
POPline: Você lançou a versão original do álbum em novembro e agora uma versão deluxe com músicas inéditas. Não que a primeira não tenha sido um sucesso, mas porque você acredita que essa nova edição fez tanto barulho? Foi a estratégia?
Além da estratégia, eu acho que foi consequência da primeira edição do álbum. O “Dos Prédios” foi um álbum que realmente me colocou aonde eu estou hoje, me mostrou para o público. Foi ali que eu conquistei mais fãs, que eu conquistei mais lugares, que eu consegui ter mesmo o reconhecimento da rapaziada do mainstream. Conforme eu consegui essa base de fãs bem forte através do meu álbum, eu acho que o próximo passo era só mostrar para eles do que eu realmente era capaz de fazer e apresentar algo novo. Então, eu já estava com uma base de fãs formada quando eu apresentei outro trabalho. Foi tudo que eles precisavam para me consumir mais e para me abraçar de outra forma. [A primeira versão] foi numa estreia, o outro álbum a gente lançou e a rapaziada foi conhecendo de pouco em pouco, foi entendendo o que era, do que se tratava, quem eu era e que tipo de música eu fazia. Então, foi algo que foi se criando, foi crescendo de pouco em pouco e, quando se firmou, toda essa rapaziada entendeu o movimento que eu estava fazendo. Foi quando a gente lançou esse essa versão deluxe. Já estava concentrado toda essa base de fãs ali, toda essa rapaziada que estava procurando me conhecer e, com essa concentração, quando a gente lançou o projeto, só direcionou todos eles e por isso eu acho que teve essa essa explosão maior aí.
POPline: Porque você acredita que o seu som encantou essa rapaziada? Qual o seu diferencial em relação a outros trappers e artistas do mercado?
Bom, eu acho que o meu som conversa bem com a rapaziada de vários públicos que eu tenho. tanto a rapaziada de quebrada, da favela, quanto a rapazeada de uma classe mais alta para tocar numa festa, então eu acho que eu acabo conversando com esses dois tipos de público, assim, que é bem interessante porque todo mundo tem que ouvir uma mensagem, seja ela qual for. Eu acho que a mensagem ela tem que ir pra todo mundo, tá ligado? E eu acho também que o meu diferencial é a minha base de fãs. Ela é muito forte, eu acho que eu conquistei uma base de fãs bem consistente, que realmente procura saber as coisas sobre mim. Elas movimentam de uma forma muito incrível a minha carreira também, então eu acho que eles só espera um alguma coisa para eu fazer para eles estarem noticiando, para eles estarem compartilhando, comentando. Fora isso, esteticamente, também na parte da música, eu gosto bastante do estilo de flow que eu faço, são flows bem diferentes. Gosto também da minha versatilidade nas músicas, em várias vertentes do trap que têm no meu álbum. O trap tem várias vertentes dentro dele – o plug, jersey, drill – e em vários desses eu acabo me encaixando bem. Acho que a rapaziada acaba entendendo legal o que eu consigo fazer e vendo que realmente eu sou uma pessoa que gosta de música, que estuda sobre antes de fazer. E quem sabe mesmo, quem gosta mesmo de estudar sobre isso, acaba identificando que eu não estou fazendo por fazer, eu realmente parei, estudei, entendi como é feito, ouvi bastante e fiz, tá ligado? Então, eu acho que a rapaziada gosta bastante disso, porque quando você começa a fazer por fazer, você vira só uma pessoa que está fazendo de tudo para alcançar algum lugar.
POPline: E você citou as vertentes do trap com as quais você se relaciona bem, e na primeira edição do álbum tem um Jersey, chamado “Jeito Bandida”, com o Kyan. Acho que você foi um dos primeiros grandes nomes a mandar um desses em um disco. Se você tivesse que explicar para o público do POPline, que é um pessoal acostumado com música pop, o que é um Jersey, como você explicaria?
Explicaria como uma vertente que ela tem uma mistura do trap com a música eletrônica. É uma parada que ela é bem forte, parece que você está mais rico quando ela começa a tocar no show. Então, para o público mais leigo sobre o assunto sobre o Jersey, é bem isso mesmo, um trap com eletrônico, umas batidas bem malucas mesmo, que você começa a sentir, a vibrar junto ali, porque não tem como ficar parado com essa, mano. É o grave que você começa a sentir como se fosse a pulsação do coração, tá ligado? É uma parada bem bizarra e bem legal da rapaziada conhecer. Eu acho que tem captado muito o público do eletrônico e o público do funk mandelão também porque remete muito a isso – a batida forte, a movimentação quando toca, assim como eletrônica, assim como o mandela, que quando toca você sente a vibe. Para a rapaziada que quer entender mais o que é, é mais ou menos isso ai. Agora, para quem quiser ouvir de verdade, é só ouvir “Jeito Bandida”, que é o pique.






