Rapper paulistano analisa a dinâmica dos algoritmos e reflete sobre o lançamento do álbum Cumulonimbus
Rashid fez duras críticas ao modelo atual da indústria da música e ao impacto das redes e do streaming na trajetória de quem tenta construir uma carreira independente. Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o rapper paulistano afirmou que o ecossistema digital dominado pelos algoritmos se transformou em uma “máquina que tritura o pequeno artista”.
Com mais de duas décadas de caminhada no hip-hop, o MC analisou a transição da venda física de discos nas ruas até o cenário atual, regido por métricas e pela necessidade constante de engajamento. Para Rashid, essa dinâmica afetou diretamente a sustentabilidade do trabalho de quem está no meio da pirâmide do mercado.
“As plataformas impuseram uma nova dinâmica que acabou virando uma máquina que tritura o pequeno artista. O artista médio, aquele midstream do período pré-pandemia, hoje vive um gap: ou você fura a bolha e atinge números astronômicos para estar no topo, ou acaba sendo empurrado de volta para a margem”, explicou o artista ao Correio Braziliense.
Diante da pressão por conteúdos virais e tendências passageiras, Rashid defende que a postura do artista deve ser firme em direção à sua verdadeira identidade e ao público que realmente se conecta com a sua arte.
“O grande erro de hoje é tentar falar com todo mundo e acabar não falando com ninguém. É preciso encontrar sua postura, saber quem é o seu público, mirar nessas pessoas e seguir firme. O mercado mudou, mas o entendimento sobre o valor da cultura é o que permanece”, destacou.
Resgate das raízes e união de gerações
Essa filosofia reflete a essência do seu novo trabalho, o álbum Cumulonimbus. Construído em parceria com o diretor musical Grou, o projeto buscou resgatar o peso emocional do rap nacional da virada dos anos 1990 para os 2000, aliando versos afiados e profundidade social com a pressão das baterias modernas, como no single Yowa.
Um dos pontos altos do disco é a colaboração com Projota e Emicida, resgatando um laço histórico na cena. Rashid pontuou que reunir os parceiros de jornada vai além de participações especiais, funcionando como uma reafirmação da coletividade do hip-hop.
“O rap sempre propôs o senso coletivo, algo que fomos perdendo ao longo do tempo. Reunir a gente traz essa amizade e vira o melhor tipo de desafio mental”, concluiu o rapper ao projetar o impacto do novo trabalho na cena.


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