A revista Rolling Stone publicou um ensaio cultural avaliando que o público em massa voltou a abraçar a música de Drake após o auge da rivalidade com Kendrick Lamar em 2024.
No artigo, a publicação norte-americana afirma que o cancelamento virtual sofrido pelo artista canadense na época funcionou mais como um episódio de “psicose coletiva” do que como uma transformação duradoura na indústria da música.
De acordo com o texto, o ambiente digital em 2024 amplificou interpretações extremas, impulsionadas pela mudança nos algoritmos de redes sociais e pelo uso de desinformação gerada por inteligência artificial antes mesmo das primeiras respostas musicais.
A revista aponta que a repercussão de faixas como “Not Like Us” gerou teorias da conspiração desmedidas que atingiram pessoas aleatórias na internet e levaram o rapper a relatar, em um processo judicial contra a gravadora UMG, que precisou tirar o filho de sete anos da escola por questões de segurança.
O ensaio argumenta que, embora tocar Drake tenha parecido uma escolha com peso moral durante meses, a recepção popular mudou conforme os lançamentos seguintes chegaram às paradas.
Como exemplo factual dessa recuperação, o disco Iceman completou 13 semanas no topo da parada Top R&B/Hip-Hop Albums da Billboard, quebrando o recorde histórico que o próprio artista mantinha desde 2011 com o clássico Take Care.
A análise também destaca o ritmo recente de produção do canadense, que lançou em maio os projetos Habibti e Maid of Honour ao lado de Iceman, além do filme musical Fear of Missing Out (FOMO), disponibilizado no YouTube com prévias de novas faixas.
Para a publicação, a insistência em transformar uma disputa de entretenimento entre dois dos maiores nomes do rap em um tribunal moral esbarrou na força com que a audiência geral continuou consumindo os sucessos do artista.
