Yannick Hara e o teste nada empático “Voight Kampff”.

“A flutuação da pupila, a expansão involuntária da íris” e a empatia seriam características humanas não reproduzidas pela inteligência artificial? O que diferencia seres biológicos de máquinas? Os humanos o são humanos por essência ou a humanidade é algo que se adquire?

Em “Voight Kampft”, quarta faixa do novo disco de Yannick Hara, o artista traz uma discussão sobre o teste de empatia que leva o mesmo nome. Utilizado para diferenciar replicantes de humanos, o teste voight é como um polígrafo capaz de aposentar replicantes que não deveriam mais estar vivos.

No universo cyberpunk onde a tecnologia reproduz o corpo e a inteligência biológica, a dúvida consiste não em entender exatamente quem é o outro, mas o que somos nós a partir da existência do outro. O perspectivismo ameríndio traz a noção de que o mundo é dominado por uma infinidade de espécies onde cada uma vê a si mesmo como humana e as demais espécies como não-humanas. A falta de humanização do outro é a marginalização: “Quem atinge? Quem é o crime? Quem é o pária?”.

Philip K. Dick se inspirou na criação do famoso matemático Alan Turing que desenvolveu um teste capaz de medir a capacidade de uma máquina em exibir comportamento humano. No teste original, se as respostas dadas pelo objeto fossem indistinguíveis de um ser humano, então o objeto seria humano. O filósofo Jean Paul Sartre, no entanto, discordou da conclusão do teste porque para ele a existência precede a essência. Os humanos nascem, existem e sua essência seria uma constituição póstuma. Seguindo essa linha, a empatia não é intrínseca ao sujeito e sim fruto da sua maturidade e é aí em que “as emoções se afloram e deterioram-se as noções”.

Ouça o single no Spotify abaixo e siga o perfil Yannick Hara na plataforma.